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Alphaville Urbanismo volta a lançar projetos após mais de um ano

São Paulo, 12/12/2018 – A empresa de loteamentos residenciais Alphaville Urbanismo, uma das marcas mais conhecidas do setor no País, está retomando novos projetos após uma ausência de lançamentos que se arrastava desde maio de 2017, período em que a crise impactou a companhia e forçou uma pisada no freio.

A Alphaville lançou no fim de novembro um empreendimento em Uberlândia (MG), com 518 lotes e valor geral de vendas (VGV) estimado em R$ 100 milhões. De lá para cá, mais de 90% das unidades foram vendidas. Para o primeiro trimestre de 2019, há outros três lançamentos programados, sendo dois no Ceará e um em Minas Gerais.

“Fazia tempo que não víamos fila de espera para comprar um lote”, contou ao Broadcast o diretor-presidente da Alphaville, Klausner Monteiro, que assumiu o posto em setembro no lugar de Marcelo Willer, que ficou na presidência do conselho de administração. “Temos percebido uma melhora no movimento nos plantões de vendas. Isso nos deixou mais animados para 2019”, acrescentou Monteiro.

A companhia tem um banco de terrenos com potencial de lançar, no longo prazo, loteamentos avaliados em R$ 26 bilhões. Desse montante, R$ 2,5 bilhões já receberam as licenças e estão prontos para irem ao mercado. “À medida em que vermos as melhoras esperadas para a economia se concretizarem e surgirem mais oportunidades de negócios, faremos os lançamentos”, ponderou.

Monteiro observou que a crise deixou muitas cidades sem oferta de lotes por muito tempo, criando uma demanda reprimida que já começa a ter vazão, especialmente após a diminuição das incertezas do período eleitoral. “Para 2019, estamos analisando quais são as localidades com essa demanda não atendida”, disse.

A retomada dos projetos pela Alphaville ocorre após o baque da crise sobre toda a indústria imobiliária nos últimos anos. Com a recessão econômica, as vendas caíram e os distratos subiram, desequilibrando o caixa das empresas do setor. Na loteadora, não foi diferente.

A receita líquida caiu de R$ 555 milhões em 2016 para R$ 153 milhões em 2017 e R$ 101 milhões em 2018 (considerando o acumulado entre os meses de janeiro a setembro). Como consequência, o prejuízo líquido saltou de R$ 34 milhões em 2016, para R$ 414 milhões em 2017 e R$ 533 milhões em 2018, na mesma base de comparação.

O estrago causado sobre as finanças levou a Alphaville a atrasar o pagamento de compromissos. Em agosto, a companhia adiou o pagamento de uma parcela de juros, de R$ 39 milhões, de debêntures que tinham o Bradesco como investidor. Os papéis se referiam a uma emissão de R$ 800 milhões feita em 2013. Segundo Monteiro, a parcela foi quitada logo em seguida, e, hoje, as contas da empresa estão em dia. Nos últimos dois anos, a loteadora também reduziu pela metade as despesas administrativas e buscou ganhos de eficiência nas obras.

Após a arrumação na casa, a dívida líquida da Alphaville com terceiros chegou a aproximadamente R$ 900 milhões. Além disso, há R$ 135 milhões de despesas com obras de cinco projetos em construção. Já seu estoque de lotes é avaliado em R$ 650 milhões, enquanto os recebíveis de unidades vendidas totalizam R$ 2 bilhões. Esse saldo faz com que a dívida esteja em patamar considerado controlado, segundo Monteiro, e dispensa a necessidade de aumento de capital pelos sócios.

As gestoras de recursos Pátria e Blackstone são donas de 70% da Alphaville, fatia adquirida da Gafisa por R$ 1,4 bilhão em 2013. Na época, a loteadora estava no seu auge e era um negócio extremamente rentável. Com as dificuldades do mercado nos anos seguintes, as gestoras aportaram mais R$ 800 milhões por meio de uma debênture que poderá ser convertida em ações em 2021. Com pouco dinheiro em caixa, a Gafisa não acompanhou o aumento de capital e terá sua participação de 30% diluída. “Pátria e Blackstone estão muito comprometidos com o negócio”, salientou Monteiro.

Recuperação

A volta da Alphaville Urbanismo à ativa coincide com o movimento de recuperação do setor. Nos últimos 12 meses até setembro, foram lançados 34,1 mil lotes no Estado de São Paulo, 27% mais do que no mesmo período do ano anterior, de acordo com pesquisa da Associação das Empresas de Loteamento (Aelo) com o Sindicato da Habitação (Secovi-SP). O setor não conta com dados nacionais.

Para o presidente da Aelo, Caio Portugal, a elevação dos novos projetos mostra inflexão do mercado e ganho de confiança dos empresários. “Na crise, houve diminuição dos lançamentos, com as empresas procurando desovar as unidades não vendidas. Agora, os estoques já estão normalizados e até abaixo da média em algumas praças. Isso é o que explica a retomada da oferta”, explicou.

Portugal acrescentou que as vendas seguem praticamente estáveis, mas há espaço para melhora. “O incremento das vendas ainda depende da queda do desemprego e da melhora da renda dos consumidores. Isso pode acontecer já em 2019. Há dúvidas sobre o quadro macroeconômico, mas estamos mais otimistas”, disse.

(Circe Bonatelli -circe.bonatelli@estadao.com)

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