Após prejuízo bilionário, incorporadoras esperam melhora do mercado neste segundo semestre

São Paulo, 15/08/2017 – As empresas de incorporação imobiliária estão, cautelosamente, tirando da gaveta os planos de novos empreendimentos, esperançosas que haja uma recuperação ou, ao menos, um alívio para a crise neste semestre. A expectativa de executivos é que a queda das taxas de juros do financiamento e a estabilização do nível de emprego e renda ajudem a estimular os consumidores a voltarem aos estandes pouco a pouco. Por outro lado, restam incertezas sobre a velocidade com que a esperada recuperação irá se transformar em realidade.

Mesmo que as expectativas positivas se confirmem, vai demorar para as empresas saírem do vermelho. A crise deixou cicatrizes, como o encolhimento das operações, o corte de margem devido a vendas com descontos, a retração do faturamento e a perda de escala. Esses fatores geraram uma nova rodada de prejuízos, conforme mostra levantamento realizado pelo Broadcast.

As 13 principais incorporadoras listadas na Bolsa (Cyrela, Direcional, Even, Eztec, Gafisa, Helbor, MRV, PDG, Rodobens, Rossi, Tecnisa, Tenda e Viver) tiveram, juntas, um prejuízo líquido de R$ 1,115 bilhão no segundo trimestre de 2017. Esse resultado mostra um aprofundamento de 51% das perdas em comparação com o mesmo período do ano passado, quando o prejuízo consolidado totalizou R$ 739,5 milhões. O maior prejuízo, de R$ 532 milhões, foi da PDG, que atravessa recuperação judicial. Mesmo se ela for excluída do cálculo, o setor teria uma perda consolidada de R$ 583 milhões.

Perspectivas
Após sofrer prejuízo de R$ 180 milhões e encerrar o semestre sem novos projetos, a Gafisa voltou a lançar empreendimentos. Desde julho, a incorporadora já colocou três novos projetos na rua, todos em São Paulo, totalizando um valor geral de vendas (VGV) estimado entre R$ 250 milhões e R$ 300 milhões, segundo antecipou o diretor presidente, Sandro Gamba.

“No começo do ano, a estratégia foi priorizar a venda dos imóveis no estoque, organizar a estrutura de despesas e otimizar a geração de caixa para diminuir a dívida”, explicou Gamba. “Vamos continuar trabalhando desta forma no segundo semestre. A diferença é que também estamos trabalhando com novos projetos.” Ele ponderou, entretanto, que a postura ainda é de cautela, uma vez que o desemprego segue elevado e restam dúvidas sobre o ritmo de recuperação do País, bem como possíveis bombas no campo político.

Em situação semelhante, a Tecnisa não lança novos projetos desde 2016, priorizando o corte de despesas e as vendas de estoques e terrenos para reduzir a dívida. Agora, vê chance e retomar os lançamentos até o fim deste ano ou início de 2018. “O ano tem sido bom para as vendas. Houve turbulências políticas, com uma certa quebra no ritmo. Agora, as notícias econômicas têm ajudado a aumentar a confiança dos consumidores. Entramos no segundo semestre otimistas”, disse o diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Flávio Vidigal.

O copresidente da Even, Dany Muszkat, comentou que tem percebido uma melhora nas condições de acesso ao crédito imobiliário, com os bancos reduzindo taxas tanto para pessoa física quanto para as construtoras. “Acreditamos que esse movimento ainda se encontra no início, pois a taxa de juros deve continuar caindo”, avaliou. Muszkat prevê que a Even lançará mais projetos em 2017 do que em 2016, mas evita cravar essa perspectiva como uma meta formal. Por ora, a incorporadora vai avaliar o desempenho das vendas dos estoques antes de acelerar substancialmente novas empreitadas.

O copresidente da Cyrela, Raphael Horn, acrescentou um outro motivo para enxergar o mercado com mais otimismo. Segundo avaliação do executivo, a pior onda de distratos de vendas de imóveis já passou, uma vez que parte crescente do estoque é formado por apartamentos prontos. Vale lembrar que as rescisões estão concentradas na entrega da obra, momento em que o consumidor esbarra na falta de financiamento bancário e desiste de levar o negócio adiante. “Já são 2,5 anos de crise pesada. O que nos anima é que parece que está perto do fim”, afirmou, durante conferência com investidores. “Estamos chegando no final do ciclo dos distratos, pois as safras (de projetos antigos em andamento) estão acabando”, comentou.

A Eztec também corroborou a visão mais esperançosa para o semestre. A companhia lançou seu primeiro projeto de 2017 só em maio, mas agora pretende acelerar o ritmo. Neste mês, um novo projeto já foi iniciado. “Já nos dedicamos a novos investimentos para acompanhar essa recuperação”, afirmou o diretor presidente, Sílvio Zarzur. Por outro lado, a companhia espera que a diminuição da receita perdure até o fim de 2017, refletindo o encolhimento das vendas dos anos anteriores. Com os novos projetos, a previsão é de engordar novamente o faturamento só a partir do ano que vem.

Já a Rossi deve permanecer focada na renegociação de dívidas com os bancos, sem dar sinais de novos projetos. O diretor presidente, João Paulo Rossi, avaliou que o reaquecimento do setor de construção civil depende de uma geração robusta de empregos no País e de melhora mais relevante no acesso ao crédito. “Esses itens ainda não demonstram, no curto prazo, uma melhora considerável”, afirmou. As incorporadoras PDG e Viver, em recuperação judicial, também não planejam novos empreendimentos no curto prazo. (Circe Bonatelli – circe.bonatelli@estadao.com)

Fonte: Broadcast

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