Após se capitalizar, Tecnisa prepara lançamentos para 2020

Após se capitalizar, Tecnisa prepara lançamentos para 2020

São Paulo, 11/11/2019 – Após passar por capitalização e reduzir seu endividamento, a Tecnisa prevê retomar lançamentos em 2020, possivelmente a partir do segundo trimestre, estimou o diretor presidente, Joseph Meyer Nigri, durante teleconferência com investidores e analistas.

O executivo explicou que lançamentos no Jardim das Perdizes, principal empreendimento da Tecnisa, dependem da liberação de novos Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) dentro da Operação Água Branca. Essa medida está pronta para ser votada na Câmara dos Vereadores, segundo ele. “Sigo otimista de que a operação vai ser aprovada”, afirmou Nigri, acrescentando que tem ouvido muitas posições favoráveis por parte de vereadores e representantes da prefeitura.

Caso isso ocorra rapidamente, os lançamentos no Jardim das Perdizes poderiam ocorrer a partir do segundo trimestre de 2020. Nigri ponderou, entretanto, que a Tecnisa ainda não tem um plano B caso os Cepacs da Operação Água Branca não sejam aprovados ou demorem muito para receber o sinal verde. Uma opção seria a construção de moradias de interesse social, voltadas para população de baixa renda, pois esses projetos não dependem de Cepacs.

O executivo contou também que a Tecnisa está em fase de compra dos terrenos que servirão para os lançamentos fora do Jardim das Perdizes. Nesse caso, os novos projetos devem ser anunciados no segundo semestre de 2020. A incorporadora tem pago pelos terrenos o equivalente a 15% a 20% do valor geral de vendas (VGV) estimado com o projeto. Segundo Nigri, o mercado está “mais dinâmico” e há uma “certa concorrência”.

Nigri disse ainda que avalia aumentar os preços dos imóveis dos empreendimentos futuros. “É algo a se considerar nos próximos lançamentos. Se velocidade de vendas estiver boa, podemos ganhar preço. Será uma avaliação caso a caso”, comentou.

Balanço – A Tecnisa reportou prejuízo líquido de R$ 52,054 milhões no terceiro trimestre de 2019, o que representa uma queda de 29% ante o prejuízo de R$ 73,367 milhões apurado no mesmo período do ano passado. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ficou negativo em R$ 39,586 milhões, uma queda de 39,2% ante Ebitda negativo de R$ 65,088 milhões de igual etapa de 2018. A empresa também divulgou um Ebitda ajustado negativo de R$ 31,340 milhões, queda de 53,3% ante o Ebitda negativo de R$ 67,161 milhões de um ano antes.

 

A receita operacional líquida da companhia fechou o trimestre em R$ 74,614 milhões ante receita negativa de R$ 26,346 milhões do ano passado, quando houve maior volume de distratos em relação às vendas. A Tecnisa encerrou o trimestre com resultado financeiro líquido negativo de R$ 10 milhões, incremento de 16% em relação ao resultado financeiro negativo de R$ 9 milhões registrados no mesmo período do ano passado.

No terceiro trimestre a Tecnisa não realizou lançamentos. No acumulado do ano, os lançamentos somam R$ 261 milhões, dos quais R$ 52 milhões referem-se à parcela Tecnisa. Até 31 de Outubro, os projetos Araribá Home Resort, Jardim Botânico – Fase 1; e Jardim Vista Bella estavam com 83%, 61% e 67% de unidades comercializadas, respectivamente.

Em seu balanço de resultados, a empresa destaca que em outubro realizou o lançamento do projeto Houx Pinheiros, com um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 84 milhões, sendo R$ 17 milhões a parte Tecnisa, com 100% das unidades comercializadas em um final de semana. “O desempenho de vendas dos lançamentos demonstra o reaquecimento na demanda por imóveis na cidade de São Paulo”, afirma a empresa.

Os distratos somaram R$ 21 milhões, representando uma redução de 69% em relação ao terceiro trimestre de 2018 e aumento de 5% em relação ao segundo trimestre. A provisão para distratos entre julho e setembro totalizou R$ 101 milhões, uma queda de 52% em relação a um ano antes e de 26% em relação ao segundo trimestre. As vendas contratadas líquidas, parcela Tecnisa e líquidas de distratos, totalizaram R$ 101 milhões no terceiro trimestre, ante vendas líquidas negativas de R$ 4 milhões do ano passado, e uma redução de 2% sobre o segundo trimestre.

Após aumento de capital mediante oferta pública primária de ações com captação de R$ 427 milhões, a empresa encerrou o terceiro trimestre com uma posição consolidada de caixa (Disponibilidades e Aplicações Financeiras) de R$ 396 milhões, volume 279% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior e 355% superior ao registrado no segundo trimestre. O caixa líquido consolidado encerrou o setembro em R$ 7 milhões, comparado a um endividamento líquido de R$ 515 milhões e R$ 441 milhões, respectivamente, no terceiro trimestre de 2018 e segundo trimestre deste ano.

Segundo a empresa, do endividamento total, R$ 283 milhões correspondem a Dívidas Corporativas, R$ 24 milhões a Coobrigações em títulos securitizados e R$ 81 milhões correspondem a dívidas de Financiamento à Produção. “Essa nova condição financeira deixa a Companhia bem posicionada para capturar a recuperação do setor imobiliário de média e alta renda. Além disso, é importante destacar que a venda de estoques de unidades concluídas e a alienação de terrenos não estratégicos constituem fontes adicionais de recursos, reforçando uma retomada sustentável do crescimento”, diz a empresa. (Circe Bonatelli e Beth Moreira, da Agência Estado)

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