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Aumento de custos de condomínios em São Paulo superam alta do IGP-M

São Paulo, 11/02/2018 – O valor da taxa de condomínio é um dos principais fatores de descontentamento de quem mora em prédios: sempre há a desconfiança de que os custos são exagerados e mal administrados. Mas, pelo menos no ano passado, é que os valores que a compõem subiram mais do que o índice utilizado para o reajuste dos alugueis, apesar de ficarem levemente abaixo da inflação.

De acordo com o Índice dos Custos Condominiais (Icon), estudo mensal feito pelo Sindicato da Habitação (Secovi-SP), o reajuste foi de 2,77%. A variação foi bem superior ao Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) do período, que teve deflação de 0,52% e é medido pela Fundação Getúlio Vargas .

Cinco variáveis fazem parte do Icon: pessoal/encargos, tarifas, manutenção de equipamentos, conservação e limpeza e diversos. Destes, apenas os dois primeiros registraram aumento, com as despesas com funcionários tendo alta de 2,84% e as tarifas sendo as grandes vilãs, com uma elevação de 6,78%.

“O Icon é um levantamento que coleta dados de várias administradoras e prédios, e serve como orientação. Os síndicos não podem se basear nele para aumentar as tarifas”, ressalta o vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do Secovi, Hubert Gebara. Ele salienta que cada condomínio tem sua particularidade e que o porcentual de cada variável muda de prédio para prédio, por conta da presença de piscinas ou manutenção de jardim, por exemplo.

O diretor financeiro da Associação dos Síndicos de Condomínios Comerciais e Residenciais do Estado de São Paulo (Assosíndicos), Francisco Sgroglia Jr., disse que esses aumentos não podem ser controlados.

O aumento com pessoal, diz ele, decorre principalmente do dissídio por parte do sindicato da categoria. “Por exemplo, o IGP-M de 2011 para 2017 ficou em 46,11% e o reajuste da folha de pagamento foi de 74,98%. Já as tarifas públicas, como água, luz e gás, estão fora do nosso alcance.”

Os gastos com tarifas compõem cerca de 11% dos custos mensais de um condomínio, estima o diretor de condomínios da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (Aabic), Omar Anauate. O Índice Periódico de Variação de Custos Condominiais (Ipevecon), levantamento feito pela entidade, aponta uma diferença de até 5% de gastos com tarifas entre prédios com até 16 apartamentos e outros modelos com mais de 96 unidades.

Transparência. Gebara diz ser preciso que os administradores sejam claros a respeito dos gastos com os condôminos durante as assembleias para justificar os aumentos nas taxas, que ocorrem anualmente. “Não há milagre. Você precisa economizar o máximo possível, desde que não prejudique a segurança nem a economia do prédio”, afirma o dirigente do Secovi.

Ele e Anauate salientam a necessidade de haver sempre algum tipo de campanha para que os condôminos diminuam os custos das despesas comuns. “O trabalho de conscientização é permanente, desde as assembleias. Você já faz uma previsão para o próximo exercício, incluindo pessoal, água, luz e todos os custos que compõem o rateio do condomínio”, diz o diretor da Aabic.

O gasto da água é tema recorrente de discussões, quando o prédio não tem cobrança individualizada por apartamento. “É difícil. Por exemplo: é preciso lembrar para não se lavar, a toda hora, a parte de fora do prédio, gastando muita água à toa”, afirma o síndico Marcos Nogueira, que administra um prédio com 40 apartamentos há mais de dez anos e já cuidou de outros conjuntos.

Ele diz que o custo para individualizar a cobrança com o gasto de água ainda não compensa a mudança do sistema, mas reconhece que em outros imóveis a separação dos gastos vale a pena. “É mais interessante para prédios muito grandes ou que tenham um gasto muito alto.”

Anauate diz que a economia da água é percebida nos edifícios que adotam a cobrança separada por apartamento, mas ela também é possível nos conjuntos em que os gastos dos apartamentos fazem parte do valor do condomínio. A razão é que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) aumenta a cobrança de acordo com a quantidade de metros cúbicos consumidos.

“Quanto mais você consome, a tarifa fica mais cara. A economia pode ser além do volume em si, pois o prédio pode cair na taxação e pagar ainda menos.”

Nogueira afirma ter conseguido aumentar a economia nos custos do prédio que administra com a instalação de lâmpadas de LED nas áreas do comuns. “Fui fazendo aos poucos. Comecei ano retrasado e o investimento todo já se pagou.”

O síndico também acompanha de perto as empresas que prestam serviço no prédio, como as que fazem manutenção de elevadores, para saber detalhes do mercado e economizar, por exemplo, com a compra de peças sem intermediários.

Nogueira reforça a necessidade de ser sempre feita uma manutenção preventiva nas instalações do condomínio, principalmente nas tubulações de gás e água. “Pode haver algum vazamento, o que é perigoso, mas com a manutenção você minimiza esse risco e também o de perdas”, diz.

O síndico lembra de um caso em que, por sorte, ele detectou um vazamento em um apartamento que estava fechado. A descoberta foi possível porque ele tenta olhar o relógio da água com frequência e perceber anomalias.

“Muitos prédios, às vezes, não sabem, mas o hidrômetro que está fazendo a medição de água está com defeito. É extremamente importante saber quando há variação de um dia para o outro”, diz Sgroglia Jr, da Assosíndicos.

O diretor considerou o aumento do valor da taxa de água da Sabesp como um dos fatores mais importantes para o aumento de 2017 no valor das contas condominiais.

“A Sabesp segurou o aumento para rever contas e custos e, justamente no final do ano, em novembro, jogou esse índice de 7,88% de reajuste. Só que isso acaba quebrando as pernas de muita gente.”

A empresa que gere o saneamento de São Paulo havia dado bônus aos condomínios que conseguissem economizar durante a crise a hídrica. (Luiz Fernando Teixeira / Especial para o Estado)

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