B3 iniciará registro de LIG e primeiras emissões são esperadas para a semana que vem

B3 iniciará registro de LIG e primeiras emissões são esperadas para a semana que vem

São Paulo, 14/11/2018 – As primeiras emissões de Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs) no Brasil, similares aos covered bonds – instrumento bastante desenvolvido no mercado externo -, devem ocorrer na semana que vem. Nova fonte de captação bancária e com a regulamentação concluída neste ano pelo Banco Central (BC), a B3 iniciará o registro do produto na próxima quarta-feira, dia 21. Além de aumentar a capacidade de financiamento ao setor imobiliário, a expectativa é de atração de um segmento sofisticado de investidores, que terão uma alternativa para as já populares Letras de Crédito Imobiliário, as LCIs.

“Esse é um produto que vai ganhar o mercado com o tempo. Nesse começo não deveremos ter uma avalanche de emissões”, comenta o diretor de Produtos de Balcão, Commodities e Novos Negócios da B3, Fabio Zenaro, em entrevista ao Broadcast. Apesar disso, a estreia do instrumento já é esperada para a semana que vem. A agência de classificação de riscos Moody’s chegou a estimar um potencial de até R$ 600 bilhões para o mercado brasileiro de LIGs e colocou Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco e Caixa como os bancos com maior potencial para alcançar volumes bilionários.

Zanaro aponta, no entanto, que ainda é difícil estimar os volumes que devem ser alcançados com esse instrumento e como será a divisão exata entre as emissões das LIGs e das já amplamente conhecidas LCIs, que têm hoje um estoque de quase R$ 160 bilhões na B3.

Assim como a LCI, a LIG possui como atrativo ao investidor: a isenção do imposto de renda, que no seu caso será estendida aos estrangeiros. Outro diferencial do novo instrumento é que ele poderá ter sua rentabilidade atrelada à variação cambial. Essas características podem, futuramente, ser um fator de atração dos investidores estrangeiros para as LIGs.

Entre outras diferenças em relação à LCI, a LIG possui um duration mínimo de dois anos e carência mínima de um ano, características que podem manter os investidores do varejo nas LCIs, que possui como atrativo a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) até o limite de R$ 250 mil. A expectativa, de acordo com o diretor da B3, é de que as LIGs atraiam tíquetes maiores de investimento, exatamente por conta desses diferenciais. “O público da LIG deve ser diferente”, afirma o executivo.

No caso da LIG, contudo, ainda do ponto de vista do investidor, há a chamada “garantia dupla”, ou seja, em caso de falha no pagamento por parte da instituição emissora, a carteira de ativos é assumida pela agente fiduciário.

Já do lado do emissor, a LIG possui um detalhe que pode fazer diferença para o banco: em emissões com prazos superiores a três anos, o volume pode ser direcionado para as regras de exigibilidade, ou seja, pode haver um duplo uso do lastro. Na prática, isso significa que a instituição bancária pode utilizar esse novo título para o cumprimento de exigibilidade do Banco Central, de que 65% dos depósitos em caderneta de poupança devem ser destinados ao financiamento imobiliário. Essa era, aliás, uma demanda dos bancos, já colocada quando o instrumento vinha sendo estudado pelo governo, em 2014.

A LIG foi inspirada nos covered bonds, muito usados na Europa, em especial nos financiamento imobiliários de longo prazo. Além dos bancos, poderão emitir LIG as caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento ou investimento, companhias hipotecárias e associações de poupança e empréstimo. (Fernanda Guimarães – fernanda.guimaraes@estadao.com)

 

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