Construção tem recuperação frustrada e caminha para 4º ano de queda

São Paulo, 22/08/2017 – A Fundação Getulio Vargas (FGV) e o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) revisaram a perspectiva para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil em 2017, que passou de uma alta de 0,5% para uma queda de 3,5%.

Com essa frustração nas expectativas de retomada, o setor caminha para o quarto ano consecutivo de queda no nível de atividade econômica. O PIB do setor encolheu 5,2% em 2016, 6,5% em 2015 e 2,1% em 2014.

A coordenadora de estudos da construção civil da FGV, Ana Maria Castelo, explicou que a mudança nas projeções está relacionada ao ambiente adverso da economia brasileira e à escassez de investimentos em programas públicos.

Segundo a pesquisadora, o Minha Casa Minha Vida (MCMV) tem evoluído em um ritmo abaixo do esperado. Além disso, as obras de infraestrutura remanescentes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e demais projetos que estavam nas agendas de Estados e municípios permaneceram estagnados.

“Nós vamos ver uma queda grande do PIB da construção em função de uma reversão das expectativas. O ajuste nas contas públicas gerou um freio nos investimentos”, avaliou Ana Maria.

Conforme mostrou reportagem do Broadcast de 9 de agosto, o MCMV tem andado lentamente. No primeiro semestre, o programa contratou 165,6 mil unidades, o que corresponde a 27% da meta consolidada de 610 mil unidades em 2017, segundo o Ministério das Cidades.

O levantamento mostrou que o gargalo está na faixa 1, onde foram contratadas somente 2,4 mil unidades. Na ocasião, o governo justificou que a demora na faixa 1 se deve à mudança nas regras de contratação de novos empreendimentos, que ocorreu em março.

“A expectativa de crescimento do PIB neste ano estava depositada nas contratações do Minha Casa e do PAC. Mas o ajuste fiscal tem afetado esses investimentos”, disse Ana Maria. Nessa esteira, a quantidade de pessoas empregadas na construção em todo o País chegou a 2,45 milhões em julho, queda de 11,1% no ano.

 

Passos atrás

A persistência da crise econômica nacional fez com que, nas últimas semanas, algumas entidades empresariais revisassem para baixo suas projeções.

Esse é foi o caso da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), que abandonou a previsão de estabilidade nas vendas em 2017 e passou a trabalhar com a perspectiva de queda de 5,0%. “Do jeito como as coisas estão andando, pode ser até pior”, disse o presidente da instituição, Walter Cover. Até julho, as vendas já acumulavam baixa de 6,2%.

O executivo afirmou que também esperava recuperação das obras de infraestrutura e do mercado imobiliário, o que não ocorreu. Na sua avaliação, os investimentos no País permanecem inibidos por diversos fatores, como desemprego elevado, taxa de juros restritiva, baixa confiança de consumidores e empresários, além de incertezas sobre os rumos do País.

“A falta de segurança sobre o andamento das reformas prometidas pelo governo federal e a bomba política de maio (delações da JBS contra o presidente Michel Temer) atrapalharam muito”, apontou o presidente da Abramat.

Na mesma linha, a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) cortou a perspectiva para a concessão de financiamentos destinados à compra e à construção de imóveis no País. A projeção passou de alta de 5,0% para uma queda de 3,5%, totalizando R$ 45 bilhões em empréstimos neste ano. No primeiro semestre, os financiamentos chegaram a R$ 20,6 bilhões, queda de 9,1%.

Na ocasião, o presidente da Abecip, Gilberto Abreu, disse que o ritmo de recuperação da economia nacional e o ciclo de queda dos juros evoluíram mais devagar do que o esperado. Ainda assim, afirmou acreditar que o pior já passou. “Não estamos vendo ainda um ciclo de crescimento na economia, mas estamos saindo do vale, do pior momento. A expectativa de melhora no primeiro semestre não aconteceu, mas há sinais de inflexão”, destacou.

 

Passos à frente

Por sua vez, o Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP) manteve a projeção de crescimento de 5% a 10% nos lançamentos e vendas de empreendimentos residenciais na capital paulista em 2017. Até a metade do ano, o setor mostrou avanço na ordem de 10%, reforçando as expectativas positivas.

Em parte, o crescimento é explicado porque 2016 foi o ano com o pior volume de negócios no setor, enfraquecendo a base de comparação. Além disso, o presidente do sindicato, Flávio Amary, acredita que há, de fato, uma recuperação em curso. “Há demanda por imóveis, como reflexo de um cenário de melhoras constantes”, afirmou, citando interrupção do aumento do desemprego e queda da inflação.

Outro fator positivo para o mercado imobiliário é a queda da taxa básica de juros, explicou Amary. “Esperamos que isso levará a uma queda nas taxas do crédito para as compras de imóveis. E num cenário de juros mais baixos, quem está capitalizado passa a olhar o mercado imobiliário como uma opção de investimento”, ressaltou. (Circe Bonatelli)

Fonte: Broadcast

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