Em recuperação judicial, Incorporadora Viver passa para as mãos dos credores

Em recuperação judicial, Incorporadora Viver passa para as mãos dos credores

São Paulo, 25/05/2018 – A Viver, primeira incorporadora de capital aberto a pedir recuperação judicial, entregou cerca de 90% de suas ações para os credores, cumprindo a principal etapa do plano de reestruturação. Agora, os novos donos da empresa são seus antigos credores, como Bradesco, Santander, Credit Suisse, Polo Capital e Gaia Securitizadora, entre outros.

O fundo norte-americano Paladin Realty Partners, principal acionista da incorporadora até então, permanecerá entre os maiores sócios. O fundo também havia concedido financiamento à empresa, e o pagamento se deu agora por meio da conversão em ações.

A capitalização totalizou R$ 571,3 milhões com a emissão de 288,5 milhões de ações ordinárias, pelo preço de R$ 1,98 por ação. Com isso, o capital social da companhia subiu de R$ 1,319 bilhão para R$ 1,890 bilhão.

“Com essa conversão, resolvemos quase totalmente a dívida concursal da Viver”, salienta o advogado que conduziu a recuperação judicial, Eduardo Takemi, sócio do escritório Galdino, Coelho e Mendes (GCM).

A Viver entrou em recuperação judicial em setembro de 2016 após acumular dívida de R$ 1,3 bilhão. O plano de recuperação foi aprovado pela assembleia de credores em novembro de 2017 e prevê, em síntese, a entrega da incorporadora aos credores por meio da conversão das dívidas em ações. Parte dos credores também pôde escolher a oferta de terrenos e apartamentos em troca da dívida, ou o pagamento em dinheiro após a venda dos imóveis.

Segundo Takemi, a próxima etapa do plano é chegar a um acordo para as dívidas de R$ 300 milhões relacionadas a empreendimentos imobiliários que ficaram fora do plano consolidado de recuperação. O principal credor dessas dívidas é o Bradesco.

Se não houver acordo entre incorporadora e instituições financeiras, essas dívidas também serão submetidas a novas tranches de conversão de dívidas em ações. “Estamos otimistas que conseguiremos fechar um acordo nas próximas semanas”, disse o advogado.

Em meio a dificuldades financeiras, a Viver também deixou três empreendimentos inacabados em Goiânia (GO), Recife (PE) e Nova Lima (MG), que somam cerca de 700 apartamentos. No caso dos dois primeiros, a Viver negocia com bancos a liberação de empréstimo complementar para terminar as obras. Já o projeto de Nova Lima será assumido por uma comissão de adquirentes.

Em paralelo, a Viver também está preparando um plano de negócios para retomar as operações e lançar novos projetos, alcançando novas fontes de receitas. O plano deve ser apresentando até o fim de junho. (Circe Bonatelli – circe.bonatelli@estadao.com)

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