Empresas focadas em consumidores de média e alta renda engrossam recuperação do mercado imobiliário

Empresas focadas em consumidores de média e alta renda engrossam recuperação do mercado imobiliário

São Paulo, 23/01/2019 – Os relatórios operacionais preliminares referentes ao fim de 2018, já divulgados por Cyrela, Direcional, Eztec, Even, Gafisa, MRV, RNI e Tenda, mostraram avanços dos lançamentos e das vendas e reforçaram as perspectivas positivas para o mercado imobiliário em 2019. O destaque positivo ficou por conta da recuperação do segmento destinado a compradores de média e alta renda, o mais afetado pela crise nos últimos anos e que agora está voltando a crescer, acompanhando as empresas que atuam no segmento de baixa renda.

Juntas, as oito companhias acima lançaram empreendimentos com valor geral de vendas (VGV) avaliado em R$ 6,448 bilhões entre os meses de outubro e dezembro de 2018, o que representa uma expansão de 54,5% em relação aos mesmos meses de 2017. No acumulado de todo o ano, os lançamentos totalizaram um VGV de R$ 16,281 bilhões, alta de 29,2% em relação ao ano anterior, conforme levantamento realizado pelo Broadcast. As vendas líquidas, já descontados os distratos, foram de R$ 4,852 bilhões no quarto trimestre, elevação de 24%, enquanto no ano totalizaram R$ 15,546 bilhões, aumento de 17,1%.

 

O levantamento mostra que a recuperação no fim do ano foi puxada pelas empresas que tradicionalmente atuam no setor de média e alta renda (Cyrela, Eztec, Even, Gafisa e RNI). Os lançamentos desse grupo alcançaram R$ 3,218 bilhões no quarto trimestre, salto de 101,8%, e as vendas foram a R$ 2,310 bilhões, crescimento de 56,5%, números acima da média setorial. Com juros altos para o crédito imobiliário, desemprego, pessimismo e uma onda de distratos, essas companhias haviam reduzido o tamanho das operações nos últimos anos e agora vêm mostrando maior disposição para novos negócios.

 

Já as incorporadoras voltadas para o segmento de moradias populares, com atuação concentrada no Minha Casa Minha Vida (MCMV) – Direcional, MRV e Tenda – reportaram um avanço porcentual mais suave, pois já vinham ampliando os projetos gradualmente nos anos anteriores, a despeito da crise. Este mercado se beneficia de juros mais baixos dentro do programa habitacional e uma demanda perene que vem da população sem moradia própria. Os lançamentos desse grupo de empresas foram de R$ 3,229 bilhões no quarto trimestre, crescimento de 25,2%, enquanto as vendas chegaram a R$ 2,542 bilhões, aumento de 4,3%.

 

A Eztec foi um dos destaques do período. As suas vendas líquidas atingiram R$ 285 milhões no quarto trimestre de 2018, alta de 179%, e também foram o maior resultado dos últimos cinco anos para a empresa. Na avaliação do diretor de finanças e relações com investidores, Emílio Fugazza, os números confirmam uma inflexão para o mercado imobiliário de média e alta renda. “Com o fim das eleições, vemos que há maior confiança entre os compradores”, destacou, em entrevista. “O pessoal de alta renda, que tem mais liquidez, já tem procurado novamente os imóveis pensando numa valorização. Para a classe média, isso tem acontecido mais devagar, porque ainda falta a redução da taxa de desemprego e aumento da renda”, ponderou.

 

A Eztec reiterou a meta de lançar projetos com VGV entre R$ 1,0 bilhão e R$ 1,5 bilhão em 2019. Se o teto da projeção se confirmar, representará um aumento de 100% em relação ao volume lançado em 2018, que atingiu R$ 752 milhões em VGV. “Isso demonstra a nossa confiança para este ano,” disse Fugazza. A incorporadora conta com R$ 900 milhões de projetos com licenças já aprovadas. O principal empreendimento do ano – o Parque de Cidade, de alto padrão, próximo à Marginal Pinheiros, na zona sul de São Paulo, e VGV acima de R$ 500 milhões – tem o lançamento previsto para o segundo trimestre.

 

Outra incorporadora com números fortes nos últimos meses de 2018 foi a Cyrela, cujas vendas líquidas atingiram R$ 1,549 bilhão, crescimento de 79,7% na mesma base de comparação. A incorporadora conseguiu vender dois terços dos lançamentos de outubro a dezembro dentro do próprio trimestre, o que elevou o indicador de velocidade de vendas para a marca mais alta dos últimos oito anos, salientaram os analistas de construção civil do Credit Suisse. “Em nossa opinião, isso pode indicar que a tão aguardada recuperação da demanda no segmento poderia, finalmente, estar se materializando, uma vez que o resultado das eleições elevou a confiança do consumidor e a promulgação do projeto de lei de distratos, no início do ano, melhorou a confiança dos empresários”, afirmaram os analistas Luis Stacchini, João Dutra e Vanessa Quiroga, em relatório do banco.

 

A Even também teve um trimestre considerado bom, embora menos empolgante que de suas concorrentes, segundo os analistas Marcelo Motta e Guilherme Mendes, do JPMorgan. “De modo geral, foi um bom trimestre para a Even, com crescimento dos lançamentos em 54% e das vendas líquidas em 22%”, afirmaram, em relatório.

 

Dentro do segmento de médio e alto padrão, a Gafisa foi a única que decepcionou, segundo analistas. A incorporadora fechou o quarto trimestre com apenas um lançamento, com VGV de R$ 118,9 milhões, ainda assim um aumento de 31,9% em comparação com o mesmo período do ano anterior, mais fraco. E as vendas somaram R$ 95 milhões, baixa de 22%. A companhia informou que estavam previstos os lançamentos de mais três empreendimentos no fim de 2018, mas que acabaram postergados para 2019 após a nova diretoria revisar suas viabilidades.

 

Pelas projeções da equipe do BTG Pactual, os lançamentos e as vendas da Gafisa ficaram 60% e 70% abaixo das expectativas do banco, respectivamente. “A Gafisa está no meio de uma reviravolta complexa, com revisão de estratégia operacional, estrutura de custos e tamanho da empresa, enquanto a alavancagem está acima da média do setor”, ponderaram os analistas Gustavo Cambauva e Elvis Credendio.

 

Outro movimento que tem reforçado as operações das empresas que tradicionalmente atuam no segmento de média e alta renda foi a entrada no Minha Casa Minha Vida. Empresas como Cyrela, Eztec e RNI (antiga Rodobens Negócios Imobiliários) anunciaram, desde o ano passado, que atuarão no ramo popular. A Eztec fez sua estreia em outubro, com o lançamento do primeiro projeto no Brás, centro da capital paulista. E a RNI dedicou dois dos três empreendimentos do trimestre para o MCMV, na Região Nordeste. “O ano de 2018 marcou o retorno da companhia ao MCMV”, informou a direção da RNI, onde o programa habitacional já representou 55% dos lançamentos de todo o ano. (Circe Bonatelli – circe.bonatelli@estadao.com<mailto:circe.bonatelli@estadao.com>)

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