FITCH rebaixa rating da Gafisa para ‘B(BRA)’; Observação negativa

São Paulo, 22/11/2017 – A Fitch Ratings rebaixou, hoje, o Rating Nacional de Longo Prazo da Gafisa e de sua sétima emissão de debêntures, com vencimento em dezembro de 2017 e montante de R$ 600 milhões, para ‘B(bra), de ‘BB-(bra). Ao mesmo tempo, a Fitch colocou todos os ratings em Observação Negativa.

Segundo a agência, a Observação Negativa considera o elevado risco de refinanciamento da Gafisa e os desafios relacionados às necessidades de fortalecimento da liquidez e de alongamento do perfil de amortização da dívida nos próximos meses. “Recentemente, a companhia anunciou uma proposta de aumento de capital, de R$ 200 milhões a R$ 300 milhões, condicionada ao alongamento de R$ 300 milhões de dívida corporativa com vencimento em 2018 e 2019. Se aprovadas, essas iniciativas reduzirão as fortes pressões de vencimento de dívida pelos próximos dois anos e possibilitarão a retirada da Observação Negativa”, diz a Fitch.

No entanto, observa, eventuais melhoras dos ratings estão vinculadas a uma percepção da Fitch de clara recuperação dos indicadores operacionais e da geração de caixa da Gafisa. Segundo a agência, estes dois fatores são fundamentais para melhorar os indicadores de crédito da companhia de forma sustentável. Na visão da Fitch, a Gafisa ainda tem o desafio de gerenciar maiores pressões por capital de giro a partir da esperada retomada de lançamentos de projetos.

A Fitch explica ainda que os ratings incorporam a natural volatilidade da indústria de construção residencial. “O setor é caracterizado por demanda instável e elevada necessidade de capital para sustentar o ciclo de caixa ao longo dos negócios. Além disso, se mostra fortemente vulnerável a desaceleração econômica, taxas de desemprego e de juros elevadas, menor confiança do consumidor e restrições nas linhas de crédito”, observa.

Conforme a agência, apesar da melhora de importantes indicadores macroeconômicos, o ambiente de negócios para o setor ainda não apresenta avanços consideráveis. O volume de distratos da Gafisa permanece significativamente elevado – nos nove primeiros meses de 2017, foram reportados distratos de R$ 316 milhões, o equivalente a 39% das entregas de projetos. Em 2016, esses números eram de R$ 508 milhões e 29%, respectivamente. A expectativa é de diminuição de distratos, à medida que as entregas de projetos se reduzam, o que a Fitch acredita que acontecerá gradualmente. “No entanto, a companhia permanece exposta a fortes pressões sobre suas margens operacionais, dada a concentração de atividades no segmento de renda média a alta, mais exposto às incertezas do cenário econômico do Brasil”, diz.

A Fitch não estima uma melhora significativa da geração de caixa operacional da Gafisa a curto prazo. No período de 12 meses encerrado em setembro de 2017, a empresa gerou Ebitda negativo de R$ 183 milhões, ante R$ 77 milhões negativos em 2016, sem considerar os resultados da Tenda. No mesmo período de 12 meses, a Gafisa gerou recursos das operações (FFO) de R$ 508 milhões negativos e fluxo de caixa das operações (CFFO) positivo em R$ 93 milhões. “A geração de caixa foi beneficiada por um volume maior de entregas, o que, combinado ao recebimento de R$ 219 milhões provenientes do processo de separação da Tenda, permitiu reduzir a dívida líquida para R$ 1,2 bilhão em setembro de 2017, de R$ 1,6 bilhão em dezembro de 2016”, destaca. (Beth Moreira – beth.moreira@estadao.com)

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