Fundos estrangeiros acompanharão Tanure em capitalização da Gafisa

Fundos estrangeiros acompanharão Tanure em capitalização da Gafisa

São Paulo, 29/03/2019 – O empresário Nelson Tanure não está sozinho em seu plano de entrar no quadro acionário da Gafisa. Mais dois fundos estrangeiros especializados em mercado imobiliário serão seus parceiros na proposta de capitalização da incorporadora, conforme apurou o Broadcast.

O plano do grupo de investidores orquestrado por Tanure é aportar na Gafisa em torno de R$ 200 milhões em dinheiro para equilibrar o caixa e em terrenos para projetos futuros, segundo fontes.

 

Em paralelo, pretendem compor uma nova diretoria executiva. O atual diretor-presidente, Roberto Portella, permanecerá no posto somente até a chegada do novo time. Advogado e membro do conselho de administração, Portella assumiu o cargo provisoriamente após a renúncia de Ana Maria Recart nesta semana.

 

A aprovação da capitalização ainda está sujeita, porém, à aprovação do tema pelos atuais acionistas na assembleia marcada para 15 de abril.

 

Procurado pela reportagem, Tanure confirmou que está disposto a investir na Gafisa e afirmou que a incorporadora “precisa de um novo plano estratégico de longo prazo, elaborado por empresa especializada e de primeira linha”, mas não se posicionou sobre o grupo de investidores.

 

A reportagem também apurou por fontes que não haveria intenção do grupo de levar a Gafisa para recuperação judicial, ao menos logo na largada. A avaliação do grupo é de que há um patrimônio de imóveis na planta, em obras e prontos bom o bastante para gerar vendas e receitas, e que a necessidade de recursos poderia ser complementada por novos financiamentos.

 

Essa análise é corroborada por outras pessoas que passaram recentemente pela gestão da Gafisa. No entanto, alertam sobre a necessidade de ter uma direção conhecedora do mercado imobiliário para tirar a empresa do buraco, o que não ocorreu na época do último acionista majoritário, a GWI, do investidor Mu Hak You. Nenhum de seus indicados para a diretoria havia trabalhado à frente de uma incorporadora antes.

 

De todo modo, uma recuperação judicial não está totalmente descartada, já que a situação financeira da Gafisa é extremamente delicada. Ela encerrou o último ano com menos dinheiro em caixa do que a quantidade de dívidas com vencimentos no curto prazo. Por isso depende da venda rápida dos apartamentos para honrar os compromissos sem a necessidade de novos recursos.

 

A Gafisa fechou 2018 com R$ 137,2 milhões em caixa, enquanto as dívidas com vencimento até o fim deste ano totalizam R$ 348,4 milhões. A dívida líquida é de R$ 752,2 milhões, e a alavancagem (medida pela relação entre dívida e patrimônio líquido) atingiu 152,5%, uma das mais altas entre as empresas do setor listadas na bolsa. (Circe Bonatelli – circe.bonatelli@estadao.com)

Fique por dentro do Mercado Imobiliário! Receba conteúdos gratuitamente.

Cadastre-se para receber os nossos conteúdos por e-mail.

Email registrado com sucesso
Opa! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.

Fale o que você pensa

O seu endereço de e-mail não será publicado.