Fundos imobiliários voltam a ganhar fôlego e podem ter emissão de mais de R$ 10 bilhões em 2018

São Paulo, 06/10/2017 – A indústria de fundos imobiliários no Brasil caminha para dar, depois de cinco anos, um novo salto, com captações que podem superar os R$ 10 bilhões em 2018, na esteira do fim do arrocho monetário. Neste ano, os volumes devem ficam próximos de R$ 7 bilhões visto o pipeline dos estruturadores que deve se desenrolar até dezembro, diante da melhora da percepção do mercado, mesmo que o ritmo de recuperação do setor imobiliário ainda esteja lento.

“Estamos vendo uma virada no mercado”, aponta André Freitas, sócio da Hedge Investments, empresa formada por ex-funcionários do Credit Suisse no País. “Acredito que em 2018 o setor pode bater o seu recorde em captações”, estima, citando as perspectivas de baixa da Selic que deve forçar investidores a buscar aplicações mais atrativas. O recorde de captação foi registrado em 2012, com R$ 14 bilhões emitidos.

A gestora RBR, especializada em fundos imobiliários, acaba de provar do apetite do mercado para esse produto, com a oferta de um novo fundo obtendo uma demanda que superou em 20% a oferta. “O apetite está enorme com a busca de investimentos diante de uma taxa de juros menor. Essa foi uma amostra de que esse mercado está voltando”, diz Ricardo Almendra.

Esse movimento já está bastante claro, por exemplo, na plataforma de fundos da XP Investimentos, conta o responsável por essa área, Gustavo Pires. “Há uma migração de ativos de renda fixa para outros produtos e esse movimento deve crescer mais”, diz, lembrando que há papéis de renda fixa com vencimento próximo e que, diante da dinâmica de queda de juros, os investidores serão obrigados a procurar outros instrumentos para conseguirem manter o mesmo retorno. A migração já ocorre nos investidores institucionais, observa, mas ainda não é anotada no segmento de pessoas físicas. “O mercado está se aquecendo, mas ainda é pequeno. Estamos a observar algo transformacional com a queda de juros”, afirma Pires.

O sócio do BTG Pactual e membro da equipe de fundos imobiliários do banco, Michel Wurman, aponta que o espaço de crescimento desse produto ainda é muito grande, visto que a vantagem fiscal dos benefícios imobiliários os tornam ainda mais competitivos. “Vemos que os juros devem ficar baixos por um bom tempo. Nesse cenário há muitos produtos diferentes que geram retorno com segurança acima desse patamar”, destaca o executivo.

 

Em alta

Até agosto, foram registradas ofertas de 16 novos fundos imobiliários, quantidade que supera todo o ano de 2016, quando foram contabilizadas 12 ofertas. Já o volume captado até agosto totalizou R$ 3,5 bilhões, 66% mais do que em 2016, que fechou com R$ 2,1 bilhões, segundo boletim da B3. O auge da indústria de fundos ocorreu em 2012, com 49 ofertas que movimentaram R$ 14 bilhões.

A demanda pelo lançamento de fundos tem movimentado a NFA Advogados. Carlos Ferrari, sócio do escritório, diz que já foram para a rua nas últimas semanas quatro ofertas, sendo que mais uma está no forno. “O crescimento está bastante expressivo. Com a queda de juros as ofertas de fundos imobiliários começa a fazer sentido para os gestores e investidores”, comenta.

Além de se beneficiar da queda dos juros, o setor também tem ganhado suporte na incipiente recuperação operacional vista em alguns segmentos imobiliários, como os mercados de torres corporativas, galpões logísticos e shopping centers.

Os recursos captados pelos fundos têm sido destinados, essencialmente, à compra de imóveis comerciais já em operação, que têm um bom nível de ocupação e geram uma receita robusta com os aluguéis. Já as captações destinadas à construção de novos empreendimentos devem ganhar força só daqui dois ou três anos, quando o crescimento da economia brasileira demandar novos imóveis para abrigar atividades empresariais.

Esse cenário deve fazer a remuneração dos fundos no curto prazo ficar concentrada na valorização das cotas em vez da distribuição dos dividendos, estima o gerente sênior de Inteligência de Mercado da Cushman & Wakefield, Gustavo Garcia. “A distribuição de dividendos depende dos aluguéis arrecadados pelos gestores dos imóveis”, pondera Garcia, lembrando que ainda há uma parcela relevante de empreendimentos desocupados. Segundo ele, a expectativa é que os dividendos ganhem corpo a partir de 2019, quando a vacância já estiver reduzida, permitindo a suspensão nos descontos na locação, bem como e o reajuste real (acima da inflação) nas renovações de contratos. (Circe BonatelliCirce.bonatelli@estadao.com e Fernanda Guimarães – fernanda.guimaraes@estadao.com)

Fonte: Broadcast

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