Gafisa fará campanha de vendas para testar mix de serviços imobiliários

Gafisa fará campanha de vendas para testar mix de serviços imobiliários

São Paulo, 11/09/2019 – A Gafisa vai começar amanhã (12) uma campanha de vendas com duração de 90 dias para ajudar a escoar o seu estoque de imóveis prontos e, ao mesmo tempo, testar a popularidade junto aos consumidores de outros serviços associados à venda, como decoração de apartamentos e clube de vantagens. O objetivo é diversificar as operações e as fontes de receitas.

“Essas ideias serão testadas e poderão se transformar na base da nossa plataforma futura”, contou ao Broadcast o presidente da Gafisa, Roberto Portella, que planeja transformar a companhia em uma plataforma que reúna diversos serviços imobiliários, além das tradicionais construção e comercialização de imóveis.

A campanha que começa esta semana abrangerá 500 unidades prontas localizadas na cidade de São Paulo, ofertadas a preços médios 5% menores do que os valores de tabela praticados até então. Esses imóveis somam um valor geral de vendas (VGV) de R$ 300 milhões, o equivalente a 28% do estoque total da companhia, que também conta com unidades na planta e em obras.

Além de bombar o caixa, a campanha ajudará a impulsionar iniciativas recém-criadas, como a oferta, nos próprios estandes, de serviços personalizados de arquitetura e decoração para os compradores de imóveis. “Esse serviço de customização tem retorno até mais alto do que nossas operações tradicionais. Será um campo de investimento que vai aumentar”, apontou Portella.

A incorporadora também vem fechando parcerias para consolidar o seu próprio clube de vantagens. Dessa forma, o consumidor que fechar negócio ganhará um voucher de R$ 2 mil que pode ser trocado por produtos e serviços de uma rede de 40 lojas, como Samsung, Brastemp, Cônsul, Ortobom, Kitchenaid, entre outros. Esse modelo já é praticado por outras incorporadoras, como a MRV, líder do setor.

Já o lançamento de novos empreendimentos pela Gafisa ficará para o ano que vem, afirmou o executivo, mas também representarão uma diversificação dos negócios. O conselho de administração autorizou recentemente a diretoria a prosseguir com estudos preliminares de projetos potenciais no litoral do Rio de Janeiro, como Arraial do Cabo, Cabo Frio e Ilha Grande.

Para esses locais, estão previstos complexos que reúnem apartamentos, quartos de hotel e centros comerciais, totalizando um valor de geral de vendas elevado, com lançamento de cada etapa ao longo de vários anos, explicou.

E a Gafisa ainda criou uma subsidiária para atuar em Portugal. Segundo Portela, a companhia pode vir a desenvolver empreendimentos residenciais e comerciais por lá, ou até firmar parcerias com fundos para gerir ‘distrassed assets’. As conversas estão ainda no começo, ponderou.

Se confirmadas, as iniciativas serão uma variação relevante, já que a construtora tem como foco a região metropolitana de São Paulo.

Finanças – O balanço mais recente mostrou uma situação financeira apertada para a Gafisa. Ela encerrou o segundo trimestre com R$ 182,8 milhões em caixa e R$ 266,4 milhões de passivos a vencer ainda este ano. Para amenizar a situação, foi realizada uma capitalização de R$ 132 milhões concluída em junho e há uma segunda tranche de até R$ 273 milhões prevista para ser concluída neste semestre.

Portella ressaltou que a “parte financeira da Gafisa está bem equacionada” e que a campanha de vendas não servirá para torrar os estoques, mas sim dar os primeiros passos para diversificação dos negócios. Ele também lembrou que abriu em maio uma frente de negociação com os bancos para tentar estender os prazos de pagamento de dívida mediante a apresentação de novas garantias, o que está evoluindo bem, na sua avaliação. “Espero até o fim do ano ficar em dia com os credores”, pontuou.

Portella acrescentou que também segue de pé o plano já anunciado de captar US$ 150 milhões por meio da emissão de dívidas, como debêntures conversíveis em ações. Segundo ele, as primeiras sondagens entre investidores mostraram que há demanda de mercado para chegar até a US$ 300 milhões, mas isso será assunto para 2020. (Circe Bonatelli)

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