Gafisa se desfaz de última 'joia da coroa' ao vender loteadora Alphaville

Gafisa se desfaz de última ‘joia da coroa’ ao vender loteadora Alphaville

São Paulo, 25/10/2019 – A venda da empresa de loteamentos residenciais Alphaville para a gestora de investimentos Pátria, anunciada no ao longo da semana, sela a última etapa do desmonte da Gafisa. O grupo foi um dos mais poderosos do setor de construção na início da década, dono também da construtora Tenda. Hoje, porém, amarga prejuízos e tem um volume muito menor de empreendimentos.

A Gafisa comprou a Alphaville por R$ 383 milhões em 2006, quando o mercado estava entrando em uma fase de explosão dos lançamentos e das vendas de empreendimentos imobiliários em todo o País. Na ocasião, a Alphaville foi apontada como a “joia da coroa” da Gafisa, sendo reconhecida pelos loteamentos de alto padrão, destinados às classes A e B, e com rentabilidade acima dos negócios da Tenda e da própria Gafisa.

Nos anos seguintes, porém, o setor viu aumentos dos valores de terrenos, materiais e mão de obra, além da falta de planejamento das empresas, que estouraram orçamentos e atrasaram a entrega de obras, amargando prejuízos a despeito das vendas aquecidas. Para pagar as dívidas acumuladas com as compras das subsidiárias e com os atrasos de obras, a Gafisa decidiu vender uma fatia de 70% na Alphaville para o Pátria e a Blackstone em 2013, numa transação de R$ 2 bilhões.

Mas a Alphaville também sentiu o peso da crise nacional e começou a perder seu brilho. A partir de 2014 veio uma onda de cancelamentos de vendas, situação que fez a empresa focar na desova dos lotes no estoque e suspender o anúncio de novos projetos em 2017. Os lançamentos só foram retomados no segundo semestre de 2018.

Ainda assim, a Alphaville não voltou para os trilhos. A empresa teve prejuízo líquido R$ 417 milhões no primeiro semestre de 2019, perda 44% maior do que no mesmo período de 2018, quando o prejuízo foi de R$ 290 milhões.

A venda acertada esta semana sugere um valor de mercado de R$ 2,071 bilhões para a Alphaville. Como a Gafisa receberá o equivalente a R$ 100 milhões em terrenos por uma fatia de 21,2% na loteadora, o valor integral da companhia seria de R$ 472 milhões.

Além disso, o Pátria detém debêntures conversíveis em ações emitidas pela Alphaville no valor de R$ 1,6 bilhão. Essas debêntures foram integralizadas e, portanto, representam o mesmo que o capital, segundo apurou o Broadcast.

Na soma das operações, a loteadora alcançaria o valor de mercado de R$ 2,071 bilhões. Mas esse cálculo não inclui os desafios operacionais e financeiros que a loteadora tem a enfrentar, segundo fontes do mercado.

Por sua vez, a Gafisa continua lutando para desafogar o caixa e entregar obras que estão em andamento. A incorporadora acumula prejuízo de R$ 59 milhões no primeiro semestre e realizou dois aumentos de capital para ganhar fôlego.

A Tenda também gerou prejuízos enormes para o grupo devido ao superaquecimento das atividades. A construtora teve as operações separadas da Gafisa em 2017 e tem ações negociadas na bolsa. Das três, é a única que dá lucro. No semestre, o resultado líquido foi positivo em R$ 73 milhões.  (Circe Bonatelli, da Agência Estado)

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