Gafisa

Gafisa volta a atrasar pagamento de fornecedores e cancela lançamentos

São Paulo, 10/12/2018 – O ambiente está pesado nos corredores da Gafisa. A incorporadora voltou a atrasar pagamentos de fornecedores, suspendeu lançamentos e já acumula centenas de demissões de funcionários, conforme apurou o Broadcast. Além disso, a direção desistiu de transferir a sede de São Paulo para São Caetano, conforme planejado, e continua à procura de um endereço que permita uma redução de despesas ainda mais profunda.

Desde que assumiu o comando da Gafisa, em 28 de setembro, a gestora de recursos GWI Group, do investidor Mu Hak You, vem implementando uma reestruturação baseada em cortes de custos e na tentativa de maximização de retorno aos acionistas. Para isso, destituiu o conselho de administração e a diretoria executiva, colocando seus funcionários da GWI nos respectivos postos. No entanto, algumas medidas práticas têm sido questionadas pelo mercado.

Os atrasos no acerto com parte dos fornecedores e dos empreiteiros de obras vem se arrastando mesmo após a direção ter se comprometido a normalizar os pagamentos após uma ameaça de paralisação dos operários em 24 de outubro. “Não retomaram o pagamento dos fornecedores completamente conforme anunciado. Foi uma coisa parcial, de fachada”, afirmou uma fonte. Fora isso, também permanecem suspensos os pagamentos a prestadores de serviços de tecnologia, advogados e até limpeza da sede. A suspensão vai continuar por tempo indeterminado, enquanto a GWI faz a revisão dos contratos, disseram fontes.

Há poucos dias, a GWI demitiu o executivo Luciano Amaral, último diretor estatutário da gestão anterior que permanecia no cargo após a tomada de controle pela GWI. Além dele, já haviam sido cortados o diretor-presidente, Sandro Gamba, o diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Carlos Malheiros, e o diretor operacional, Gerson Cohen. As demissões em diversos níveis – analistas, coordenadores e gerentes – têm ocorrido em praticamente todas as semanas, e o número de funcionários já caiu de 750 para 250.

A reestruturação implementada pela GWI também cortou parte dos novos projetos imobiliários. A incorporadora tinha cinco lançamentos residenciais planejados para a cidade de São Paulo neste semestre, mas apenas dois foram realizados. Os outros três que ficaram de fora somam cerca de R$ 400 milhões em vendas. Segundo fontes, a companhia não está comprando terrenos, o que indica um enxugamento das operações para os próximos anos. Vale lembrar que o escritório no Rio de Janeiro foi fechado há dois meses.

Por outro lado, uma das principais medidas defendidas pela GWI foi cancelada. A gestora de recursos queria transferir a sede da Gafisa do prédio corporativo na Marginal Pinheiros, ao lado do Shopping Eldorado, para um prédio comercial próprio em São Caetano. A medida representaria uma economia de R$ 4,7 milhões por ano à incorporadora, segundo cálculos preliminares divulgados da GWI, mas a conta não ficou de pé quando considerada a incidência de impostos municipais.

Agora, a direção considera levar a sede para o Centro Empresarial de São Paulo (Cenesp), complexo de edifícios comerciais no Jardim São Luís, perto do fórum trabalhista da zona sul de São Paulo. A decisão, porém, ainda não foi tomada, segundo fontes.

Enquanto isso, o mercado olha desconfiando a situação da incorporadora, que fechou o terceiro trimestre com R$ 194 milhões em caixa e R$ 201 milhões de dívidas com vencimento nos 12 meses seguintes. Para isso, precisa agilizar a entrada de recebíveis das vendas de imóveis, que totalizam R$ 1,4 bilhão.

Com o caixa apertado, o programa de recompra de ações anunciado pela GWI foi alvo de protestos dos conselheiros independentes Eric Alencar e Tomás Awad, que renunciaram aos cargos no último mês, aumentando ainda mais as incertezas de investidores sobre a assertividade da nova estratégia. Procuradas, Gafisa e GWI não comentaram.
(CirceBonatelli – circe.bonatelli@estadao.com)

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