Gargalo no Minha Casa Minha Vida impacta operações da MRV no trimestre

Gargalo no Minha Casa Minha Vida impacta operações da MRV no trimestre

São Paulo, 15/10/2019 – A paralisação na liberação de recursos no âmbito do Minha Casa Minha Vida (MCMV) por 56 dias, entre julho e setembro, prejudicou as operações da MRV Engenharia, maior construtora do programa habitacional no País. Por conta desse problema, a companhia lançou menos projetos do que o planejado no terceiro trimestre, realizou menos repasses e ainda sofreu com queima de caixa, de acordo com relatório operacional preliminar, divulgado há pouco.

Os empreendimentos lançados pela MRV totalizaram R$ 1,630 bilhão em valor geral de vendas (VGV) no terceiro trimestre de 2019, 3% menos do que no mesmo período de 2018. Como a MRV só lança novos projetos após obter o financiamento à construção, o volume de lançamentos teria sido maior se não fosse o atraso na liberação do crédito, explicou a companhia.

As vendas líquidas alcançaram R$ 1,395 bilhão, expansão de 18,8%. O resultado foi o maior já registrado em um terceiro trimestre na história da companhia. Esse avanço ocorreu em decorrência de uma política comercial mais agressiva e da maior quantidade de imóveis no estoque, disponíveis para venda, graças aos projetos lançados nos meses anteriores.

A MRV reportou queima de caixa de R$ 200,8 milhões no trimestre devido aos gargalos do MCMV. Os repasses de clientes para o financiamento bancário – momento em que recebe a maior parte do pagamento pela unidade comercializada na planta – foram de 6.864 unidades, queda de 32,5%.

O copresidente da MRV, Eduardo Fischer, disse que os gargalos do MCMV já foram solucionados pelo governo federal, de modo que a companhia já voltou à normalidade. A perspectiva, segundo ele, é de retomada da geração de caixa nos próximos balanços. “Nosso negócio é gerador de caixa por natureza”, disse, referindo-se ao ciclo de vendas e repasses.

Fischer também minimizou o fato de o governo federal não ter apresentado um esboço da nova versão do MCMV. “Isso não preocupa. O MCMV está rodando normalmente”, declarou. A expectativa, segundo ele, é que as mudanças em estudo afetem principalmente a faixa 1 do programa, que depende de recursos da União. Já as faixas 2 e 3, abastecidas pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), não devem passar por alterações relevantes, estimou.

O executivo lembrou que a MRV também tem procurado diversificar suas fontes de receitas, com a destinação de mais projetos para financiamentos fora do MCMV, enquadrados nos financiamentos via Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Esses projetos responderam por 7,5% das unidades vendidas no trimestre e 9,8% do valor comercializado no período.

Fischer também disse que está otimista com a Luggo, subsidiária da MRV voltada para a construção e a locação de imóveis residenciais, em vez da venda. A companhia atingiu a marca de 95% de ocupação das 116 unidades no prédio Residencial Cipreste, em Belo Horizonte, primeiro projeto da subsidiária. A intenção é vender a operação para um fundo imobiliário no futuro.

Estados Unidos – O copresidente da MRV afirmou que a convocação da assembleia de acionistas que deliberar sobre a compra da construtora residencial AHS, nos Estados Unidos, deve ocorrer dentro do prazo já comunicado. A MRV adiou a convocação após acionistas fazerem apontamentos sobre a governança corporativa do processo, que envolve a AHS, que tem o mesmo dono da MRV, Rubens Menin.

“Prefiro não falar disso agora. Não foram muitas manifestações. Foram algumas coisas relacionadas a governança, nada muito forte”, resumiu Fischer. Questionado se essas manifestações implicarão em alterações no processo, ele disse apenas “que ainda é cedo para falar a respeito”. (Circe Bonatelli, da Agência Estado)

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