Imóveis no Brasil tiveram 3ª maior queda de preço no mundo em 2017

Imóveis no Brasil tiveram 3ª maior queda de preço no mundo em 2017

Brasília, 10/08/2018 – Imóveis residenciais no Brasil tiveram a terceira maior queda de preço do mundo em 2017. Na média, o valor das casas e apartamentos vendidos caiu 5,3% na comparação com o ano anterior. A retração brasileira só ficou atrás do verificado na Rússia (-7%) e Peru (-6,4%), segundo levantamento do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês). Após três anos de contração, o mercado imobiliário brasileiro atualmente tem cerca de 60% do tamanho verificado em 2013. Os últimos meses até indicam reação nos negócios, mas a incerteza macroeconômica pode atrapalhar o cenário.

Bancos centrais de todo o mundo monitoram a evolução do preço dos imóveis para entender a exposição das instituições financeiras que financiam a compra de casas e apartamentos. O dado leva em conta o valor de avaliação dos imóveis dados como garantia nos financiamentos. No caso brasileiro, é calculado pelo Banco Central e são consideradas 13 capitais: Belém, Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Vitória.

 

Esse levantamento mostra que o Brasil e outros emergentes foram na contramão da tendência mundial. Dos 58 países com dados na pesquisa do BIS, só 13 tiveram contração de preços. Nesse grupo, estão principalmente economias emergentes, como Rússia, Peru, Emirados Árabes Unidos, África do Sul, Indonésia, Tailândia e México. O grupo tem vivido momento econômico não muito favorável diante da falta de tração das commodities e com o fluxo desfavorável de capitais diante da alta do juro dos EUA.

 

No caso brasileiro, a recessão e o custo do crédito reforçaram o quadro negativo. “O excesso de oferta e a mudança do ciclo econômico com recessão e alta do juro explicam essa contração“, diz a coordenadora de projetos da construção do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da Fundação Getúlio Vargas, Ana Maria Castelo.

 

A especialista nota que, além de prejudicar a demanda, o momento negativo foi potencializado por movimentos que também prejudicaram o caixa das construtoras. “Algumas famílias que compraram imóveis para investir tiveram de desistir do negócio, o que aumentou o volume de distratos e prejudicou as incorporadoras“, diz. Como um bola de neve, a recessão diminuiu a demanda, prejudicou mutuários, elevou a devolução de imóveis comprados na planta e prejudicou a saúde financeira das construtoras.

 

Diante desses problemas que prevaleceram por três anos, o departamento econômico do Bradesco calcula que o mercado imobiliário residencial atualmente tem tamanho equivalente a 60% do pico verificado em 2013. O banco estimou as dimensões do mercado com base em indicadores operacionais e financeiros das companhias do setor de construção.

 

Reação

Economistas do Bradesco notam, porém, que uma reação começou a aparecer em alguns mercados em 2017. Imóveis mais baratos em um ambiente de queda do juro e reação do emprego e da renda explicam essa melhora que, segundo o banco, começou a ser observada em cidades como São Paulo ainda no ano passado. “Os dados do primeiro trimestre de 2018 reforçam a trajetória positiva das vendas, inclusive com expansão em maior intensidade”, dizem os analistas do banco.

 

Indicadores mais recentes confirma essa percepção. O Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R), indicador calculado pela FGV que acompanha o preço dos imóveis negociados, mostrou em junho o primeiro aumento no acumulado em 12 meses desde agosto de 2015. Das nove capitais acompanhadas pelo índice, cinco acumulam valorização. Entre as quatro que seguem no campo negativo, há desaceleração no ritmo de queda dos preços.

 

Para os próximos meses, o Bradesco avalia que “há vetores claros para moderação na retomada do mercado”. Os economistas notam que os principais indicadores que dão respaldo à compra dos imóveis pararam de melhorar, o que deve interromper a reação dos negócios. “A taxa de desemprego parou de cair, a criação de vagas no mercado de trabalho formal tem surpreendido negativamente e a renda real desacelerou“, citam os analistas, que lembram ainda que a melhora da confiança dos consumidores foi interrompida em maio e junho de 2018.

 

Nem mesmo as iniciativas do governo para tentar incentivar o financiamento imobiliário parecem reverter esse quadro. Nos últimos meses, a equipe econômica flexibilizou o direcionamento de parte dos recursos da poupança para o setor, criou regras mais favoráveis para o direcionamento de títulos do como as Letras de Crédito Imobiliário e ainda anunciou o aumento do limite do uso de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a compra de imóveis de até R$ 1,5 milhão.

 

Apesar dessas iniciativas, Ana Castelo acredita que só a melhora mais expressiva do cenário macroeconômico será capaz de reativar efetivamente o mercado imobiliário. “É uma questão macroeconômica mesmo. Há revisões para baixo sobre o crescimento da economia, o desemprego segue alto e há incertezas entre famílias e nos bancos“, diz. (Fernando Nakagawafernando.nakagawa@estadao.com)

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