Incertezas políticas atrapalham captura de oportunidades de negócios, reclamam empresários

Incertezas políticas atrapalham captura de oportunidades de negócios, reclamam empresários

São Paulo, 13/09/2018 – O presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz França, afirmou que o grau elevado de incertezas políticas tem impedido a indústria da construção de capturar oportunidades de negócios, mas que o setor será capaz de retomar os investimentos quando essas incertezas se dissiparem.

As oportunidades são visíveis a olho nu, especialmente nas grandes cidades, mas elas não podem ser aproveitadas em função das incertezas que só serão removidas daqui algumas semanas“, comentou, referindo-se ao processo eleitoral. “Removida a incerteza política, o setor da construção será capaz de retomar investimentos“, salientou, em discurso de abertura de evento organizado pela Abrainc com empresários. Ele avaliou que o Brasil está melhor do que nos últimos anos, graças a medidas como a reforma trabalhista e a imposição de um teto para a evolução dos gastos públicos.

França alertou que é necessário preservar o FGTS, que é fonte de recursos para financiar a compra e a construção de imóveis para a população de média e baixa renda, como as unidades dentro do programa Minha Casa Minha Vida. “O FGTS é decisivo para se combater o déficit de moradias populares. Preservar o papel do fundo e suas prioridades, sem desviar recursos para outras áreas, é fundamental“, enfatizou. O presidente da Abrainc ainda elogiou a criação das Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs), que, na sua avaliação, serão capazes de atrair mais investimentos para abastecer o setor.

 

No mesmo evento, o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, contestou as projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) feitas pelo presidente do BNDES, Dyogo de Oliveira. Em seu discurso, Oliveira estimou que o PIB vai crescer na ordem de 3% ao ano “sem problemas” nos próximos anos, mas que será preciso enfrentar o déficit público e a reforma da previdência.

Ninguém vai crescer 3% com apenas 15% de investimentos do PIB“, ponderou Martins. O representante da indústria da construção apontou a falta de recursos públicos para investimentos em infraestrutura e observou que os aportes do setor privado permanecem inibidos pela falta de segurança jurídica e pelo ambiente de incertezas sobre os rumos políticos do País. “No próximo governo, terão que ser feitas reformas duras. Mas também é preciso haver trégua para garantir investimentos“, afirmou, referindo-se à necessidade de se dar andamento a micro reformas, como a regulamentação dos distratos.

Por sua vez, o presidente do conselho de administração da MRV Engenharia, Rubens Menin, defendeu que o próximo governo tenha disciplina fiscal para garantir o reequilíbrio das contas públicas e a retomada da capacidade dos investimentos. “Estamos em momento decisivo. Vamos olhar os candidatos que estão pregando disciplina fiscal. Sem isso, o Brasil não vai crescer“, recomendou o empresário. (Circe Bonatelli e Cynthia Decloedt)

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