Incorporadoras de baixa renda avançam, com demanda forte e ganhos de escala

Incorporadoras de baixa renda avançam, com demanda forte e ganhos de escala

São Paulo, 04/05/2018 – As incorporadoras Direcional, MRV e Tenda devem continuar apresentando avanços operacionais e financeiros em seus balanços referentes ao primeiro trimestre, que serão publicados a partir da semana que vem.

As empresas vêm ampliando lançamentos e vendas há vários trimestres, o que lhes proporciona ganhos de escala e melhores retornos neste momento.

Todas atuam no mercado imobiliário voltado para a população de baixa renda, enquadradas no Minha Casa Minha Vida (MCMV), um setor que mostra demanda resiliente dos consumidores, sustentado pela oferta de financiamentos a juros baixos.

“O crescimento consistente da receita, impulsionado pela expansão de lançamento observada nos trimestres anteriores, combinado com margens brutas sólidas, provavelmente se traduzirá em alguma diluição de despesas, abrindo caminho para um maior crescimento do retorno”, afirmam os analistas Enrico Trotta e Alex Ferraz, em relatório do Itaú BBA.

Os analistas Luiz Maurício Garcia e André Mazini, do Bradesco BBI, destacam que, mesmo sem um crescimento significativo do MCMV, as incorporadoras que atuam nesse setor se beneficiam da consolidação das operações ao longo dos últimos trimestres e dos ganhos de escala, com efeitos positivos sobre as margens nos balanços atuais. “As companhias deste setor não estão apenas apresentando resultados fortes, mas estão melhorando significativamente”, ressaltam.

 

MRV

A MRV abrirá a temporada de balanços do setor, com publicação dos seus números no dia 7, após o fechamento do mercado. A companhia deve apresentar lucro líquido de R$ 152 milhões no primeiro trimestre de 2018, de acordo com a média das projeções de seis bancos (Itaú BBA, BTG Pactual, Morgan Stanley, JPMorgan, Bradesco BBI e Santander). Se confirmado, esse montante representará alta de 16% em comparação com o mesmo período de 2017.

O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) estimado é de R$ 203,3 milhões, um avanço de 27%, e a receita líquida, de R$ 1,158 bilhão, aumento de 15%.

A MRV já publicou números operacionais preliminares, que mostraram um volume de lançamentos de R$ 801 milhões (queda de 33,9%) e vendas líquidas de R$ 1,235 bilhão (alta de 17,5%). Apesar do recuo nos lançamentos no começo do ano, devido a problemas para obter licenças em algumas praças, a incorporadora vem expandindo seus negócios há vários trimestres seguidos, o que contribuirá para manutenção dos níveis saudáveis de margens, segundo analistas.

 

Tenda

A Tenda publicará o balanço dia 10 de maio, após o fechamento do mercado. A incorporadora deverá apresentar lucro líquido de R$ 38 milhões no primeiro trimestre de 2018, o dobro do registrado no mesmo período de 2017, de acordo com a média das projeções de três bancos (Itaú BBA, JPMorgan e Bradesco BBI).

A projeção do mercado aponta um Ebitda de R$ 49 milhões, 51% mais na comparação anual, e receita líquida de R$ 361 milhões, expansão de 11%.

“Acreditamos que a combinação de um melhor faturamento e uma forte margem bruta ajustada deve ajudar a fornecer a diluição das despesas”, afirmaram os analistas Enrico Trotta e Alex Ferraz, em relatório do Itaú BBA.

A Tenda também já divulgou seus números operacionais preliminares, que foram considerados positivos. As vendas líquidas chegaram ao recorde de R$ 424 milhões, alta de 25%, enquanto os lançamentos alcançaram R$ 266,3 milhões, recuo de 11,8%, devido a demora para liberação de licenças aos empreendimentos em algumas cidades.

 

Direcional

A Direcional publicará o balanço no dia 14, após o fechamento do mercado. A incorporadora deverá reportar prejuízo líquido de R$ 15,8 milhões no primeiro trimestre de 2018, conforme a média de cinco bancos (Itaú BBA, BTG Pactual, JPMorgan, Bradesco BBI e Santander). Se confirmado, o prejuízo será 31% menor do que no mesmo período de 2017, quando teve perda de R$ 22,8 milhões.

O Ebitda ajustado projetado pelos bancos é de R$ 2 milhões, o que representa uma reversão frente ao dado negativo de R$ 1,5 milhão um ano antes. Por sua vez, a receita líquida estimada é de R$ 201 milhões, crescimento de 2%.

A companhia passa por uma transição nos negócios, concentrando seus novos projetos no segmento popular, enquadrado no Minha Casa Minha Vida (MCMV). No entanto, projetos antigos dentro do segmento de média e alta renda, além de imóveis comerciais, continuam pesando sobre o balanço, impactados por distratos e descontos.

Assim como suas concorrentes, a Direcional também divulgou dados operacionais preliminares. As vendas líquidas da companhia atingiram R$ 385 milhões entre janeiro e março, um crescimento de 155%, e os lançamentos de R$ 482 milhões, alta de 137%. (Circe Bonatellicirce.bonatelli@estadao.com)

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