Incorporadoras reduzem prejuízo e ampliam projetos no terceiro trimestre

São Paulo, 16/11/2017 – As incorporadoras conseguiram aumentar os lançamentos e as vendas no terceiro trimestre, além de diminuir o tamanho do rombo financeiro, o que sinaliza uma inflexão no mercado imobiliário após anos de crise.

Sair do vermelho, entretanto, é algo esperado só para meados de 2018, segundo empresários. Eles avaliam que o setor ainda depende de um avanço mais consistente da economia brasileira e da confiança dos consumidores para impulsionar as vendas, reduzir os estoques e abrir espaço para ganhos de receita e escala nas operações.

No terceiro trimestre, as 11 maiores incorporadoras do País listadas na bolsa – Cyrela, Direcional, Even, Eztec, Gafisa, MRV, PDG, Rossi, Rodobens, Tecnisa e Tenda – tiveram prejuízo líquido consolidado de R$ 363,2 milhões. A perda foi 81% menor do que no mesmo período de 2016. Apenas três companhias tiveram lucro (Eztec, MRV e Tenda), enquanto as demais amargaram prejuízos.

Já a receita líquida consolidada cresceu 13%, para R$ 3,866 bilhões. No campo operacional, os lançamentos de novos projetos alcançaram R$ 3,288 bilhões em valor geral de vendas (VGV), aumento de 31%. As vendas subiram 30%, para R$ 3,490 bilhões.

“A queda dos juros e da inflação ajuda na venda de imóveis. Não dá para negar que o mercado não tenha melhorado”, disse o copresidente da Cyrela, Raphael Horn, em conferência. “Mas são melhorias graduais. Para as vendas serem mais pujantes, a retomada da economia deve ser mais consistente”, ponderou. A companhia teve prejuízo por dois trimestres consecutivos e espera voltar ao azul no próximo ano.

Até lá, a Cyrela prevê impactos dos distratos, que geram despesas judiciais e gastos com revenda e ofertas de descontos, situação comum entre as empresas do setor. O cenário é semelhante na Even, por exemplo. “O balanço seguirá pressionado pelos distratos e pela queda na receita. Mas esperamos melhora a partir do ano que vem”, estimou o presidente, Dany Muszkat.

O presidente da Gafisa, Sandro Gamba, reforçou a visão de que o mercado ainda inspira cautela, mesmo após os sinais de melhora. Por conta disso, manterá o foco na venda dos estoques. “O volume de lançamentos deste ano ainda será menor do que no ano anterior”, projetou. A Gafisa também está em renegociação de dívidas com bancos e programa uma capitalização para equilibrar o nível elevado de endividamento.

Numa situação mais complicada está a PDG, com dívidas de R$ 5,75 bilhões e dentro de processo de recuperação judicial. O diretor presidente, Vladimir Ranevsky, disse esperar melhora das vendas após a aprovação do plano de recuperação na assembleia do próximo dia 22, pois isso irá “destravar” o estoque, composto por muitas unidades dadas como garantia. “A partir da aprovação do plano, teremos mais acesso aos imóveis no estoque em função do acordo com credores. E isso deverá melhorar a variedade da oferta ao mercado. Esperamos ter aceleração nas vendas”, explicou Ranevsky.

Com tom mais otimista, a EZtec é uma das poucas que fala em expansão sustentável dos negócios. “Para o ano que vem, a expectativa é de um crescimento mais acentuado, pois consideramos que estamos obtendo sucesso nas vendas do últimos lançamentos”, disse o diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Emílio Fugazza. Os três empreendimentos lançados neste ano já tiveram 38% de vendas, um nível considerado saudável pelo executivo. “Isso mostra que há demanda”, avaliou. (Circe Bonatellicirce.bonatelli@estadao.com)

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