Otimismo com imóveis atinge recorde, mas preço ainda deve demorar a subir

Incorporadoras retomam lucro operacional e agora buscam superar incertezas do país

São Paulo, 15/08/2018 – A temporada de divulgação dos balanços das empresas de construção e incorporação imobiliária, encerrada hoje, foi marcada pela volta do lucro operacional (Ebitda) consolidado do setor ao campo positivo após vários trimestres no vermelho.

Juntas, as 11 maiores incorporadoras listadas na bolsa (Cyrela, Direcional, Even, Eztec, Gafisa, MRV, PDG, RNI, Rossi, Tecnisa e Tenda) apresentaram Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 68 milhões no segundo trimestre de 2018, revertendo o dado negativo de R$ 384 milhões no mesmo período de 2017, segundo levantamento realizado pelo Broadcast.

 

Por sua vez, o resultado líquido seguiu no vermelho, mas com redução das perdas. As incorporadoras tiveram um prejuízo consolidado de R$ 394 milhões, perda 63% menor do que o prejuízo de R$ 1,1 bilhão registrado um ano antes. Já a receita líquida consolidada totalizou R$ 3,6 bilhões, crescimento de 13%.

 

A melhora reflete a evolução de lançamentos e vendas de imóveis no País, bem como a queda nos distratos, o que ajudou a recompor o faturamento. Além disso, as empresas passaram a apurar nos seus balanços os ganhos de seus projetos mais recentes e rentáveis, que foram desenvolvidos de modo mais criterioso em meio à crise nacional.

 

Os números apontam para uma inflexão lenta e gradual do setor, que, entretanto, ainda tem desafios pela frente. As perspectivas dos empresários é de cautela com o mercado no restante do ano, diante da recuperação lenta da economia brasileira e das incertezas causadas pelo período eleitoral.

 

A Gafisa diz ter capacidade de lançar neste semestre a mesma quantidade de projetos da primeira metade do ano, quando houve expansão das operações, mas pondera que o investimento dependerá do quadro econômico nacional. “Para que continuemos assertivos nos lançamentos, é preciso ter uma decisão do cenário eleitoral. Isso afeta o ambiente de negócios do País como um todo“, afirmou o diretor de Relações com Investidores, Carlos Calheiros, em entrevista. “Buscamos assertividade e confiança. Sem isso, podemos não atingir o mesmo volume de lançamentos”.

 

Na mesma linha, o diretor-presidente da Even, Dany Muszkat, reiterou a projeção de que os lançamentos da incorporadora em 2018 tendem a superar 2017, mas a confirmação da estimativa dependerá do ritmo de vendas dos projetos recém-lançados, bem como das unidades em estoque. “Vamos continuar com a previsão de crescer neste ano, mas só vamos fazer isso se tivermos boas performances de vendas“, disse, em conferência com investidores.

 

A PDG Realty, que atravessa recuperação judicial, também mantém uma expectativa conservadora em relação ao setor. Na sua avaliação, houve uma “tímida melhora” no mercado nos primeiros meses do ano, mas eventos como a greve dos caminhoneiros e a Copa do Mundo prejudicaram a retomada. “Nosso setor pode ter um desempenho melhor no ano que vem, caso haja queda no desemprego”, estimou o diretor-presidente, Vladimir Ranevsky.

 

Já outras incorporadoras sinalizaram ao mercado que pretendem deslanchar no restante do ano, a despeito das incertezas macroeconômicas. Após enfrentar um gargalo para obter licenças para seus projetos em São Paulo no primeiro semestre, a Cyrela se diz mais otimista com o cronograma de lançamentos até dezembro, que é composto por um conjunto de 16 empreendimentos. O copresidente, Efraim Horn, afirmou em conferência com investidores que a companhia “não tem medo” das turbulências causadas pelo período eleitoral, pois seus próximos empreendimentos são de portes pequenos e sem caráter especulativo. “Estamos muito otimistas para lançamentos neste semestre”, disse Horn.

 

A Eztec, que também sofreu com os mesmos gargalos para licenciamentos que a Cyrela, pretende acelerar o ritmo dos negócios e cumprir sua meta de lançamentos em 2018, contornando as incertezas do País. A Eztec tem cinco empreendimentos que receberam as licenças necessárias da Prefeitura de São Paulo no último mês e estão prontos para lançamento. “Com os projetos já aprovados, cumpriremos o piso da meta de lançamentos para o ano. E vamos buscar todo o possível para atingir o topo”, frisou o diretor de Relações com Investidores, Emílio Fugazza, em entrevista.

 

Moradias populares

Assim como nos trimestres anteriores, as incorporadoras que atuam no setor de moradias populares, incluídas no Minha Casa Minha Vida (MCMV), têm puxado a recuperação do mercado imobiliário. Juntas, Direcional, MRV e Tenda tiveram lucro líquido consolidado de R$ 214 milhões no segundo trimestre de 2018, crescimento de 62% ante o mesmo período de 2017.

 

Essas empresas têm sido beneficiadas pela forte demanda da população de baixa renda e por taxas de financiamento mais baixas do que no setor de moradias para consumidores de média e alta renda. Com isso, mantiveram as projeções de expansão dos negócios, a despeito das incertezas eleitorais e da desaceleração da economia nacional.

 

O copresidente da MRV, Eduardo Fischer, observou, inclusive, que a continuidade do MCMV não está ameaçada, pois faz parte dos planos de governo já sinalizados pelos principais candidatos à presidência. “Não vejo nenhuma ruptura acontecendo, independente de quem vença”, afirmou Fischer. (Circe Bonatelli – circe.bonatelli@estadao.com)

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