Lazer nas alturas: o apelo do bem-estar com vista panorâmica

Lazer nas alturas: o apelo do bem-estar com vista panorâmica

São Paulo, 23/07/2018 – Em áreas densamente povoadas e com escassez de terrenos, incorporadoras aproveitam em seus projetos o topo dos edifícios para implantar áreas de lazer, principalmente em prédios de alto padrão, segundo profissionais do mercado ouvidos pela reportagem.

 

“Fazer a incorporação é cada vez mais complicado. É uma questão de tamanho de terreno”, diz a gerente da Lello Condomínios, Angélica Arbex. Para ela, não é cabível que empreendimentos novos não tenham uma boa estrutura de lazer e, por isso, o uso da cobertura é a resposta à uma necessidade.

 

Além de poderem aproveitar os espaços que não poderiam ser implantados no térreo por falta de espaço, os moradores ainda têm visão panorâmica da metrópole. “Todos podem desfrutar da vista privilegiada”, reforça Andrea Bellinazzi, diretora de inteligência de mercado da Tegra Incorporadora.

 

Piscina no topo com borda infinita atrai comprador

 

O advogado José Fernando Neto, de 32 anos, conta que a piscina com borda infinita na cobertura foi um diferencial na aquisição de seu imóvel em Pinheiros. “É um chamariz”, afirma o morador, que conta nadar diariamente no local.

 

Além da visão panorâmica, o lazer na cobertura reduz, por exemplo, a possibilidade de a sombra de outros arranha-céus estragar o banho na piscina. Para o arquiteto Felipe Luciano, o lazer no topo proporciona mais privacidade. “É desconfortável estar na piscina e moradores, inclusive de outros prédios, observando você lá embaixo.”

 

O arquiteto Pietro Terlizzi ressalta, ainda, um aspecto positivo em relação aos espaços de festas: “Em um salão gourmet ou churrasqueira, há mais facilidade de escoar fumaça”.

 

O fato de o espaço de lazer estar no alto do prédio não encarece a taxa de condomínio. “O lazer tem um custo, mas se ele está em cima ou embaixo não é o que o torna mais sensível à cota condominial”, diz Angélica, da Lello.

 

Influência sobre a taxa de condomínio

 

O custo da construção, no entanto, é maior do que um prédio semelhante sem lazer na cobertura, por questões estruturais. É preciso reforçar o esqueleto do edifício com vigas mais robustas e em maior quantidade, para aguentar a carga. “Áreas ajardinadas ou molhadas, como piscinas, têm um peso bastante significativo”, diz o professor de engenharia civil do Mackenzie, Henrique Dinis.

 

O custo maior é repassado ao futuro comprador no preço do imóvel. “Os bairros escolhidos são os com maior movimentação imobiliária, para que exista um retorno com a venda da unidade”, comenta o arquiteto Felipe Luciano.

 

A taxa de condomínio, no entanto, também pode ser impactada se houver necessidade de reparos constantes nesses locais. “Temos de pensar no que estamos entregando aos moradores, no sentido de não entregar um possível problema”, diz o sócio da incorporadora Magik JC, André Czitrom.

 

Eventual infiltração causada pela piscina preocupa

 

O primeiro ponto de atenção que vem à cabeça ao pensar na área de lazer na cobertura são as possíveis infiltrações causadas pela piscina. Para as incorporadoras, no entanto, este não é um problema que tenha a ver com a localização do local no empreendimento.

 

“A preocupação é a mesma. Normalmente, a piscina fica em uma laje acima da garagem, então, de qualquer forma, não poder haver vazamento”, diz Andrea Bellinazzi, da Tegra.

 

O professor de engenharia civil da Universidade Mackenzie Henrique Dinis não concorda. “Na cobertura, o vazamento é mais grave, porque provavelmente vai causar um prejuízo imenso ao condômino do último andar. Na garagem, é possível se adequar melhor até corrigir o problema.”

 

A estudante Gabriela Varella, de 23 anos, mora com a família no último andar de um edifício com lazer na cobertura, em Santo André, e entende bem dos danos causados pelas infiltrações, que acontecem em sua casa. “A parede forma bolha, estoura, estraga a tinta e a água começa a escorrer”, lamenta.

 

Segundo ela, a questão nunca é resolvida de maneira efetiva, pois o custo de reforma é alto e muitos moradores do prédio se posicionam contra.

 

O gestor de núcleo gerencial da administradora Graiche, Luiz Tofoli, afirma que, quando essas situações acontecem, cabe à apólice de seguros do condomínio cobrir os danos.

 

‘Há tecnologia para evitar infiltrações’

 

“Atualmente, temos tecnologia disponível para fazer uma construção que não cause problema para os andares de baixo. A questão é fazer uma boa obra e usar essa tecnologia”, afirma o sócio gestor da incorporadora Idea!Zarvos, Luiz Felipe Carvalho.

 

Fernando Neto, o comprador do imóvel em Pinheiros, conta que não se preocupa com vazamentos, porque pesquisou o histórico da empresa responsável pela obra antes de adquirir o empreendimento. O arquiteto Luciano aprova a iniciativa do morador e endossa: “Dependendo da construtora, piscina no topo pode ser um tiro no pé”.

 

Outra preocupação recorrente nesse tipo de imóvel é a logística envolvendo os visitantes. E o tráfego de pessoas indo para a cobertura também pode ser uma dificuldade para os elevadores, que, usualmente nos condomínios residenciais, estão programados para atender os chamados de cima para baixo.

 

“Quando você tem a área de lazer no topo, o elevador tem de ter uma programação diferente e respeitar quem chama primeiro. É um fluxo diferente”, afirma o diretor da Manager Gestão Condominial, Marcelo Mahtuk. (Jéssica Díez Corrêa, especial para O Estado)

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