Letras Imobiliárias Garantidas (LIGS) podem atingir até R$ 600 bi, diz Moody’s

São Paulo, 04/09/2017 – A agência de classificação de risco Moody’s avalia como positiva a regulamentação que cria as letras imobiliárias garantidas (LIGs) no Brasil, similares aos covered bonds, e estima potencial de até R$ 600 bilhões. “A regulamentação é positiva para os bancos brasileiros porque cria uma alternativa de captação nova de longo prazo para financiar o crescente negócio de financiamento imobiliário residencial no País”, destacam Ceres Lisboa e Ely Mizrahi, da Moody’s, em relatório ao mercado.

Dentre os bancos com maior potencial para emissão de LIGs, conforme os cálculos da agência, estão o Itaú Unibanco e o Banco do Brasil, com potencial de cerca de R$ 145 bilhões, conforme dados publicados até junho. Em seguida, vêm o Bradesco com pouco mais de R$ 129 bilhões, Caixa Econômica Federal, com cerca de R$ 128 bilhões, considerando os números até março, e Santander Brasil com mais de R$ 68 bilhões. Conforme a regulamentação aprovada, os bancos podem emitir até 10% do total de seus ativos em LIGs.

Na visão da Moody’s, os cinco maiores bancos brasileiros serão os principais emissores de letras uma vez que concentram 97% do crédito imobiliário no País. Os R$ 600 bilhões estimados, conforme a classificadora, permitiria que os bancos quase duplicassem o tamanho atual do segmento de habitação no Brasil. “Esperamos que o volume de empréstimo volte a crescer depois de 2018, apoiado por uma economia mais forte no Brasil”, acrescentam Ceres e Mizrahi.

De acordo com eles, os bancos devem elevar a concessão de crédito imobiliário em um cenário de saída da crise, baixa inflação e taxas de juros de um dígito. Enquanto as instituições financeiras devem se concentrar em segmentos menos arriscados como o de imóveis, que têm garantia atrelada, os investidores devem recorrer ao setor como alternativas de investimento diante do patamar mais baixo da Selic. Além disso, lembra eles, as LIGs serão isentas de imposto de renda tanto para investidores locais como para estrangeiros.

Os analistas da Moodys destacam ainda que a regulamentação desses títulos permite que as letras imobiliárias garantidas recebam classificações mais elevadas do que aquelas atribuídas à dívida não garantida de um emissor porque o conjunto de ativos subjacentes será separado no balanço dos bancos (patrimônio de afetação). “Isso proporcionará aos investidores da LIG duas garantias no caso de o emissor se tornar insolvente: a credibilidade do banco e o recurso total de cobranças (os ativos atrelados)”, lembram eles.

Ceres e Mizrahi destacam ainda que a regulamentação das LIGs, divulgada na semana passada, não teve alteração importante em relação ao projeto submetido e faz parte da agenda de medidas do Banco Central anunciada no ano passado, focada em estimular o mercado de crédito. Para que as letras comecem a ser emitidas no Brasil, entretanto, faltam ainda circulares por parte do BC com detalhes técnicos e operacionais. (Aline Bronzatialine.bronzati@estadao.com)

Fonte: Broadcast

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