Linha de crédito imobiliário corrigida pelo IPCA requer moderação, alerta agência de análise de risco

Linha de crédito imobiliário corrigida pelo IPCA requer moderação, alerta agência de análise de risco

São Paulo, 10/10/2019 – O crédito imobiliário indexado à inflação é positivo para fomentar o desenvolvimento do setor no Brasil, mas os empréstimos pelas instituições financeiras devem ser realizados “com moderação”, alertou o diretor sênior de operações estruturadas na América Latina da S&P Global Ratings, Leandro Albuquerque. “Estamos acompanhando o mercado. No momento, não existe preocupação, mas ficaremos atentos, pois o mercado é dinâmico”, afirmou em entrevista, após participar de debate em congresso organizado pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).


Pelo lado positivo, Albuquerque citou que a indexação do crédito ao IPCA permite a securitização das carteiras e a ampliação da capacidade dos bancos em captarem recursos para abastecer o financiamento para a compra e a construção de imóveis no País. “É positivo na medida em que liga a ponta da originação à da captação”, destacou.

Por outro lado, ele fez um alerta ao risco de eventuais picos de inflação, que podem encarecer excessivamente os empréstimos e provocar uma onda de inadimplência no mercado brasileiro de crédito imobiliário. Para evitar que esse cenário se materialize, os bancos reduziram os prazos dos financiamento, baixaram o porcentual de renda máxima que pode ser comprometida pelo mutuário e diminuíram também o valor do empréstimo em relação ao valor do imóvel (loan to value, ou LTV, na sigla em inglês).

“Se a competição entre os bancos aquecer e mudarem as condições de prazo e LTV nessa linha, então teremos um ponto de atenção. No momento, essa preocupação não existe, mas continuaremos monitorando”, ressaltou o diretor da S&P.

Albuquerque citou como exemplo o caso da Argentina, que lançou uma linha de crédito corrigida pela Unidade de Valor Adicionado (UVA), elemento que segue a inflação local e funciona como um indicador semelhante à antiga Unidade Real de Valor (URV) dos anos 1990 no Brasil. Mas com a explosão da inflação no país vizinho, as dívidas dos mutuários dispararam, e o governo teve de intervir para subsidiar o pagamento dos empréstimos aos bancos.

“A Argentina não é o melhor benchmark, mas é um exemplo dos riscos existentes em torno do crédito com IPCA. Como estará o controle da inflação no Brasil nos próximos anos? E a independência do Banco Central por aqui, como vai ficar no longo prazo?”, questionou o diretor da S&P Global Ratings.

A Caixa anunciou há poucos dias que atingiu a marca de R$ 1 bilhão contratado na nova linha de crédito imobiliário com correção pelo índice oficial de inflação, que foi lançada em 20 de agosto. Nos bancos privados, o sentimento em relação ao crédito imobiliário indexado ao IPCA ainda é de cautela e não há pressa em disputar esse mercado, ao menos até aqui.

Além disso, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander Brasil miram o público de alta renda para ofertar crédito imobiliário com IPCA. Isso porque em um eventual repique da inflação, esses tomadores teriam recursos para fazer frente à dívida antes que o saldo devedor aumentasse. A ideia, conforme executivos ouvidos pelo Broadcast, é ter o produto no portfólio, mas não ofertá-lo de maneira ativa como tem feito a Caixa. (Circe Bonatelli e Aline Bronzati, da Agência Estado)

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