Lucro conjunto das donas de Shoppings deve subir 34% no terceiro trimestre

São Paulo, 30/10/2017 – O lucro das três maiores operadoras de shopping centers do País – BRMalls, Multiplan e Iguatemi – deve crescer no terceiro trimestre de 2017. A expectativa é que o trio apresente, de modo consolidado, FFO (lucro líquido, excluindo depreciação, amortização e efeitos não caixa) de R$ 325,4 milhões no terceiro trimestre de 2017, alta de 34% em relação ao mesmo período do ano passado. O levantamento considera a média das projeções de seis bancos (Itaú BBA, BTG Pactual, JPMorgan, Bradesco BBI, Safra e Morgan Stanley) consultados pelo Prévias Broadcast.

O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) consolidado deve atingir R$ 544,5 milhões, queda de 2% ante igual trimestre do ano passado. A Multiplan e a Iguatemi devem ter melhora no Ebitda, mas o dado consolidado é afetado pela BRMalls, que deve ter queda, segundo projeções do mercado. Já a receita líquida consolidada deve alcançar R$ 780,4 milhões, avanço de 2,7% na mesma base de comparação.

Segundo analistas do setor, essa melhora será reflexo da capitalização das empresas no primeiro semestre e do alívio nas despesas financeiras em meio ao ambiente de redução de taxas de juros. Pelo lado operacional, deve ser mantida a tendência de crescimento das vendas dos lojistas, assim como observado nos trimestres anteriores. Além disso, os descontos nos alugueis concedidos aos lojistas durante o pico da crise, ainda em 2016, devem cair gradualmente, ajudando a recompor o faturamento das operadoras.

“Continuamos a ver uma tendência positiva nos principais indicadores do setor, evidenciados pela melhoria sequencial nos dados de vendas no varejo, melhores indicadores macroeconômicos como inflação e taxas de juros mais baixos, e um aumento no fluxo de visitantes nos shoppings”, afirmam os analistas Marcello Motta e Guilherme Mendes, do JP Morgan.

“No geral, esperamos uma continuação da recuperação, com as vendas nas mesmas lojas no terceiro trimestre avançando em linha com o observado no segundo trimestre”, apontam os analistas Luiz Maurício Garcia e André Mazini, do Bradesco BBI. Eles comentam ainda que os dados das principais empresas varejistas até aqui tem mostrado crescimento das vendas, o que indica melhora dos dados de shoppings também.

Entre as projeções do mercado, não há dados suficientes para cálculo do lucro líquido. Em geral, analistas adotam o FFO como principal métrica de lucro, pois esse indicador exclui a depreciação dos shoppings, que é calculada de formas distintas por cada empresa do setor. Isso não acontece no lucro líquido, gerando distorções na análise comparativa.

 

Multiplan

A Multiplan publicará seu balanço hoje, após o fechamento do mercado, abrindo a temporada de divulgação dos resultados do setor de shopping centers.

A previsão é que a companhia apresente FFO ajustado de R$ 132,7 milhões no terceiro trimestre, crescimento de 38,4% ante o mesmo período do ano passado, de acordo com a média das estimativas das mesmas instituições financeiras citadas acima. O Ebitda previsto é de R$ 200,1 milhões, aumento de 9%. Já a receita deve totalizar R$ 288,6 milhões, alta de 6,7%.

O faturamento da companhia deve crescer graças à compra de participações adicionais em shoppings do portfólio. Por outro lado, deve ter despesas operacionais associadas à inauguração do novo empreendimento em Canoas (RS), afetando suas margens. Ainda assim, os números finais ainda serão bem melhores do que um ano atrás, quando a empresa estava sob a pressão da crise.

 

BRMalls

A BRMalls, maior empresa do setor de shopping centers, deve apresentar FFO ajustado de R$ 116 milhões no terceiro trimestre, uma alta de 45,2% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com a média das estimativas das mesmas instituições financeiras citadas acima.

O Ebitda ajustado deve atingir R$ 214,2 milhões, queda de 12%. Já a receita líquida deve totalizar R$ 323 milhões, queda de 1,6%. A companhia publicará seu balanço no dia 9, após o fechamento do mercado.

Embora a companhia siga pressionada por provisões com lojistas inadimplentes, o lucro deve ter um forte crescimento na comparação anual graças à redução de despesas financeiras. A companhia passou recentemente por capitalização e recompra do bônus perpétuo.

 

Iguatemi

A Iguatemi deve apresentar FFO de R$ 76,7 milhões no terceiro trimestre, alta de 14% na comparação anual, segundo as projeções do mercado. O Ebitda ajustado previsto é de R$ 129,4 milhões, alta de 1%, enquanto a receita é de R$ 169,2 milhões, crescimento de 5%. A companhia divulgará o balanço em 7 de novembro, após o fechamento do mercado.

A Iguatemi mostrou maior resiliência às turbulências do mercado de shoppings no último ano. Posicionado no segmento de consumidores de alto poder aquisitivo, tem se beneficiado de um avanço mais expressivo das vendas dos lojistas.

Segundo a equipe de análise do Bradesco BBI, a Iguatemi deve ter alta de cerca de 6% nas vendas mesmas lojas no trimestre, o que representa uma aceleração frente aos 4% apresentados no trimestre anterior. (Circe Bonatellicirce.bonatelli@estadao.com)

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