Lucro de Shopping Centers deve subir com alívio em despesas financeiras

São Paulo, 27/07/2017 – A lucratividade das operadoras de shopping centers BRMalls, Multiplan e Iguatemi deve apresentar uma melhora no segundo trimestre de 2017, como reflexo do alívio de despesas com o pagamento da dívida corporativa. Do lado operacional, deve ser mantida a tendência de crescimento das vendas, embora o faturamento das companhias siga pressionado pela concessão de descontos nos aluguéis cobrados dos lojistas.

As três empresas devem apresentar, juntas, FFO (lucro líquido, excluindo depreciação, amortização e efeitos não caixa) de R$ 349,3 milhões no segundo trimestre de 2017, alta de 17,7% em relação ao mesmo período do ano passado. O levantamento considera a média das projeções de seis bancos (Itaú BBA, BTG Pactual, JPMorgan, Bradesco BBI, Safra e Morgan Stanley).

Em geral, analistas preferem adotar o FFO como principal métrica de lucratividade, pois exclui a depreciação dos shoppings, que é calculada de formas distintas por cada empresa do setor, gerando distorções na análise do lucro líquido.

O crescimento do FFO no segundo trimestre está relacionado ao menor custo das empresas com despesas financeiras. A maior parte da dívida de BRMalls, Iguatemi e Multiplan tem indexadores, entre os quais taxa básica de juros e inflação, que recuaram fortemente do ano passado pra cá. Isso proporcionará um resultado financeiro melhor.

O resultado financeiro também será impulsionado pelos movimentos de capitalização e pagamento de dívidas, situação vista nos casos de BRMalls e Multiplan. Já a Iguatemi não teve novos aportes dos acionistas.

Por sua vez, os indicadores operacionais devem mostrar uma melhora mais discreta. O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) consolidado das três companhias deve atingir R$ 654,0 milhões, crescimento de 2,4% ante igual trimestre do ano passado. Já a receita líquida consolidada deve alcançar R$ 907,8 milhões, avanço de 2,6% na mesma base de comparação.

Ao longo de 2016, as empresas flexibilizaram os contratos de locação dos espaços nos shopping centers por meio de descontos. Isso evitou a explosão da inadimplência e a perda acentuada de lojistas, mas diminuiu o faturamento e as margens.

Desde o fim do ano passado, empresários têm dito que o pior já passou. Na prática, isso deve se traduzir em melhora gradual nas vendas e estabilização da ocupação dos shoppings e da inadimplência dos lojistas. Mas os descontos já acertados com os comerciantes deve perdurar ao menos mais alguns meses.

“Continuamos a ver os shoppings brasileiros como uma boa opção, dada a incerteza em curso sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e outras dificuldades”, afirmaram os analistas Luiz Mauricio Garcia, André Mazini e Victor Tapia, que assinam relatório do Bradesco BBI.

A equipe ressalta que esse olhar positivo sobre o setor se deve à perspectiva de que a taxa básica de juros siga a trajetória de queda, ajudando a melhorar a lucratividade das empresas, apesar das dúvidas sobre a recuperação da economia real.

O analista do BTG Pactual Gustavo Cambaúva acredita na manutenção da expansão das vendas, com alguma reação pontual do varejo. “Esperamos um trimestre sólido para os shoppings brasileiros, com vendas crescendo apesar de um cenário macro ainda fraco e toda a turbulência política no segundo trimestre”, afirma.

Empresas

A Multiplan abre a temporada de balanços do setor, com divulgação do resultado nesta quinta-feira, após o fechamento do mercado. A companhia deve apresentar FFO ajustado de R$ 144,2 milhões no segundo trimestre de 2017, crescimento de 2,6% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com a média das estimativas dos bancos consultados pela Prévia Broadcast. O Ebitda ajustado deve alcançar R$ 206,9 milhões, expansão de 5,9%. Já a receita líquida deve totalizar R$ 282,6 milhões, aumento de 4,7%.

Os dados operacionais da Multiplan foram fortes no começo do ano e sinalizavam uma tendência de recuperação nos próximos meses. O presidente da empresa, José Isaac Peres, antecipou que as vendas totais dos lojistas tiveram alta de 11% em abril frente ao mesmo mês do ano passado.

A Iguatemi divulgará seu balanço no dia 8 de agosto, após o fechamento do mercado. Analistas calculam que a empresa apresentará um FFO de R$ 70,3 milhões no segundo trimestre de 2017, crescimento de 12,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

O Ebitda esperado pelo mercado é de R$ 125,3 milhões, aumento de 3,0%, enquanto a receita líquida deve totalizar R$ 167,5 milhões, avanço de 2,9%.

A companhia deve se beneficiar de uma melhora no resultado financeiro, fruto da redução nas despesas com o pagamento da dívida. Do lado operacional, pode haver algum reforço pontual no faturamento com o recebimento de luvas pela entrada de novos lojistas. Já os descontos nos aluguéis devem permanecer estáveis, sem novas surpresas, estimam os analistas do Bradesco BBI.

A BRMalls, líder do segmento, tem divulgação do balanço prevista para 10 de agosto. Analistas esperam que a companhia irá reportar FFO ajustado de R$ 90,6 milhões, o que corresponde a um aumento de 32,2%. O Ebitda ajustado deve totalizar R$ 225,9 milhões, recuo de 1,8%. Já a receita líquida deve totalizar R$ 319,1 milhões, baixa de 1,0%.

A empresa tem um portfólio formado por shopping centers mais voltados às classes B e C, localizados em regiões menos centrais, quando comparados aos empreendimentos de Multiplan e Iguatemi, voltados para público A e B em regiões nobres. Como consequência, as unidades da BRMalls foram mais afetadas pela crise econômica e devem permanecer com faturamento e margens afetadas por descontos nos aluguéis e inadimplência elevada, estima o analista do BTG Pactual.

(Circe Bonatelli – circe.bonatelli@estadao.com)

Fonte: Broadcast

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