Bancos têm nova rodada de corte de juros do crédito imobiliário

Medidas do CMN flexibilizam empréstimos e ajudam mercado imobiliário, dizem analistas

São Paulo, 01/08/2018 – A revisão nas regras de financiamento imobiliário, anunciadas ontem pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), foram consideradas positivas por analistas do setor de construção, que elogiaram a maior flexibilidade na concessão de crédito para o setor. No entanto, os analistas ponderaram que as novidades têm efeitos limitados, uma vez que o setor ainda depende de uma recuperação macroeconômica mais robusta para voltar a crescer de modo sustentável.

“Embora tenhamos uma leitura positiva sobre as medidas do CMN, esperamos apenas um impacto marginal positivo sobre a demanda do segmento de média e alta renda”, afirmam os analistas Marcelo Motta e Guilherme Mendes, em relatório do banco JP Morgan.

Eles ponderam que o principal gatilho para impulsionar o mercado está na capacidade de compra dos consumidores, que é baseada em desemprego baixo, salários crescentes e acesso a juros pequenos, fatores que ainda dependem de um quadro de melhora mais ampla do País. “A confiança dos compradores de imóveis depende do crescimento futuro e da estabilidade macroeconômica”, salientam.

Entre as principais medidas anunciadas pelo CMN está o aumento no valor máximo de imóveis que podem ser comprados com recursos do FGTS. Esse limite passou para R$ 1,5 milhão. Até então, era de R$ 950 mil para São Paulo, Rio, Brasília e Belo Horizonte e de R$ 800 mil no restante do País. As novas regras entram em vigor no dia 1º de janeiro de 2019.

“Em relação ao remanejamento do FGTS, entendemos que a medida é levemente positiva para as empresas que atuam com imóveis para compradores de alta renda, como Cyrela, Eztec e Even, pois pode ampliar o poder de compra no segmento, e um pouco negativo para as empresas de baixa renda, como MRV, Tenda e Direcional, pela menor disponibilidade de recursos”, afirmam Motta e Mendes.

Eles ponderam, entretanto, que não há riscos para o setor de baixa renda no curto e médio prazo, já que o orçamento do FGTS para o Minha Casa Minha Vida (MCMV) está aprovado até 2021.

Por sua vez, os analistas Luis Stacchini e Vanessa Quiroga, do Credit Suisse, adotam um tom mais otimista. “Vemos as medidas como positivas para todos os construtores dos segmentos de renda média e alta, já que as novidades devem impulsionar o financiamento imobiliário, catalisar as vendas de estoque e aumentar o poder de compra para imóveis com preços mais altos”, afirmam, em relatório distribuído a clientes.

A equipe do Credit Suisse destacou que a maior liberdade de uso do FGTS vai incrementar a capacidade de pagamento dos clientes, ajudando as empresas a venderem, principalmente, os imóveis prontos, que exigem uma entrada maior e imediata, ao contrário do pagamento parcelado de unidades ainda na planta.

Além disso, os analistas chamam atenção que a liberação do FGTS permitirá aos consumidores abater com maior velocidade os empréstimos em andamento, fomentando a originação de novos financiamentos.

Os analistas do Credit Suisse destacam ainda que o CMN determinou que bancos que financiarem imóveis de até R$ 500 mil poderão multiplicar esse recurso por 1,2 na hora de contabilizar se cumpriram o patamar mínimo que deve ser direcionado ao crédito imobiliário. “Isso deve impulsionar o apetite dos bancos por mais empréstimos nesta faixa de preço”, estimam Stacchini e Quiroga. (Circe Bonatelli – circe.bonatelli@estadao.com)

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