Mercado de edifícios corporativos paulistano vê desocupação cair e aluguel aumentar

Mercado de edifícios corporativos paulistano vê desocupação cair e aluguel aumentar

São Paulo, 21/08/2019 – O mercado de edifícios corporativos de alto padrão na cidade de São Paulo está se distanciando da crise que abalou o setor nos últimos anos e segue reduzindo a desocupação dos empreendimentos, com os primeiros registros de elevação do aluguel nos prédios situados em bairros mais nobres, onde há maior procura. A avaliação foi feita por quatro executivos que atuam no setor e participaram hoje de fórum sobre fundos de investimentos imobiliários organizado pelo GRI Club.

“Já começamos a ver os proprietários pedindo aumento do aluguel nas melhores regiões e nos melhores edifícios”, afirmou o sócio executivo da Kinea Investimentos, Carlos Martins. Ele lembrou que, durante o período de recessão da economia brasileira, muitas empresas reduziram seus escritórios, diminuindo a demanda por espaços nos prédios corporativos. Essa situação tornou a negociação do aluguel mais favorável aos inquilinos. Na sua visão, porém, a situação está mudando, e os aluguéis já têm voltado a crescer. Isso graças à redução na construção de novos prédios, ao reaquecimento da economia na capital paulista e à retomada do crescimento das empresas, em especial do setor de tecnologia, destacou o executivo.

Régis Dallagnese, sócio da RB Capital, concorda que a recuperação do mercado paulistano está em andamento, mas pondera que a melhora ainda está restrita aos bairros mais nobres. “A recuperação do preço de locação ainda não é homogênea”, apontou. Segundo ele, a vacância caiu para um patamar entre 4% e 8% nas regiões mais demandas, como Itaim, Vila Olímpia e Faria Lima. Já em outros pontos de São Paulo, essa vacância ainda roda 40%, alertou.

O presidente da BR Properties, Martin Jaco, considerou a situação de São Paulo “já resolvida”, isto é, com a trajetória de recuperação já encaminhada. “Falta apenas saber a quais valores os negócios serão fechados”, afirmou, referindo-se ao ritmo de recuperação em cada região. O executivo citou também a expansão das companhias que oferecem espaços compartilhados de trabalho para pequenas e médias empresas e profissionais autônomos nos prédios corporativos. Esse movimento foi capaz de criar uma demanda por parte de inquilinos que até então ocupam prédios de salas comerciais de padrão inferior, espalhados pela cidade. “As grandes empresas, como o WeWork, estão atraindo esses inquilinos para os prédios corporativos”, destacou.

O fenômeno recente do espaço de trabalho compartilhado também foi destacado pelo sócio e responsável pela área de investimentos imobiliários da Vinci Partners, Leandro Bousquet. Ele observou que o segmento foi responsável por cerca de 40% da absorção líquida (saldo entre locações e devoluções de áreas) nos últimos três anos em São Paulo. “A WeWork já é a terceira maior inquilina de prédios corporativos em São Paulo, caminhando para se tornar a primeira”, apontou Bousquet, citando que esse tipo de negócio foi importante para a recuperação do mercado.

Relatório da consultoria imobiliária Newmark Grubb mostrou que a vacância nos empreendimentos nas regiões consideradas centrais – núcleos entre as Avenidas Paulista e Faria Lima, incluindo trechos da Marginal Pinheiros, Berrini e Chucri Zaidan – caiu 2,9 pontos porcentuais entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano, chegando a 13,9%. Já no mercado em geral, que inclui regiões como Barra Funda e Alphaville, a vacância recuou 1,4 ponto porcentual, para 20,1%. Por sua vez, o aluguel nas regiões centrais aumentou de R$ 102,3/m2 para R$ 103,3/m2, enquanto no mercado em geral caiu de R$ 80,6/m2 para R$ 76,3/m2. (Circe Bonatelli)

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