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Mercado de Galpões Logísticos mostra recuperação a passos lentos

São Paulo, 14/03/2018 – O setor de galpões logísticos em São Paulo deve manter a trajetória de recuperação lenta e gradual ao longo de 2018, refletindo o crescimento moderado do consumo e a maior procura de varejistas e indústrias por centros de armazenagem e distribuição em regiões estratégicas. Embora a perspectiva seja positiva, ainda existem preocupações de empresários que essa recuperação enfrente turbulências em razão do período eleitoral e das incertezas sobre os rumos do País no próximo ano.

“Há uma curva ascendente no setor, o que é já uma boa notícia”, afirma a presidente da consultoria imobiliária Cushman & Wakefield, Celina Antunes. Segundo a executiva, há maior procura de inquilinos por galpões e por terrenos para desenvolvimento de novos projetos. Por outro lado, aponta que a evolução é lenta e demanda cautela. “Ainda estou receosa se a recuperação vai se confirmar de fato. Se não tivéssemos as eleições pela frente, eu estaria mais otimista”, pondera.

Conforme levantamento da Cushman & Wakefield, o saldo entre as áreas alugadas e devolvidas (chamado pelo jargão ‘absorção líquida’) no setor de galpões ficou positivo em 199 mil m² em São Paulo em 2017, alta de 44% ante 2016. Em janeiro deste ano o saldo continuou positivo, em 9 mil m², o que mostra um crescimento a passos lentos.

Além disso, a quantidade de áreas vagas nos galpões ainda está acima da média histórica. A vacância subiu de 23,3% em dezembro de 2016 para 23,9% em dezembro de 2017, devido à entrega de novos empreendimentos que ainda não estão totalmente alugados. Depois, recuou para 23,8% em janeiro.

No mesmo período, o preço mensal do aluguel caiu, saindo de R$ 20,31/m² para R$ 19,40/m² e depois R$ 19,37/m². “Neste ano, os preços de locação podem subir em um ritmo próximo ao da inflação, sem crescimento real. Isso só deverá acontecer a partir de 2019, se a recuperação do setor se consolidar”, avalia Celina.

 

Busca por qualidade

O diretor da consultoria CBRE para o Setor Industrial e Logístico, Fernando Terra, diz que tem observado uma demanda crescente por galpões desde o segundo semestre de 2017, tendência que continua em 2018. A procura é puxada por varejistas que têm se mudado de imóveis antigos para galpões mais novos, com acomodações mais eficientes e próximos de seu público-alvo.

“Não necessariamente a empresa está crescendo. Mas, com o preços de locação em baixa, decidiram se mudar para um imóvel de melhor qualidade”, explica Terra, citando o movimento que é conhecido no setor como ‘flight to quality’. Na crista dessa onda estão varejistas, principalmente aquelas que trabalham com o comércio eletrônico, setor que vem crescendo mesmo em tempos de crise.

Terra também espera que os aluguéis ganhem força só em 2019, mas a situação já é vista, pontualmente, nas regiões mais procuradas pelos varejistas, como as situadas em um raio de até 50 quilômetros da cidade de São Paulo – maior mercado do País. “Os polos de Cajamar e Embu, por exemplo, têm vacância abaixo da média e já mostram alguma pressão nos preços de locação”, comenta.

A CBRE também traz outro indicador positivo de reaquecimento do mercado paulista. A previsão para 2018 é que os novos galpões a serem entregues totalizem 400 mil m², 18% mais do que no ano passado. “O pessoal pisou no freio e praticamente parou de desenvolver novos empreendimentos um tempo atrás. Mas já há uma mudança nesse comportamento em São Paulo”, afirma.

Esse é o caso da GLP, detentora do maior portfólio de galpões no Brasil, com 60 empreendimentos em quatro regiões. Desse total, cerca de 60% está em São Paulo, onde está concentrada a recuperação do mercado. Para 2018, estão previstos investimentos de R$ 395 milhões em galpões nas imediações de Cajamar, Guarulhos e Rodovia dos Imigrantes, totalizando 175 mil m² de novas áreas locáveis.

“Vamos retomar agora a construção em um ritmo mais forte. Precisamos de mais produtos nos principais mercados”, conta o presidente da GLP, Mauro Dias. “Podemos acelerar esse movimento se a melhoria na demanda se confirmar”, acrescenta, lembrando que o cenário macroeconômico ainda guarda uma dose de incerteza.

Dias afirma que a empresa conseguiu fechar contratos de locação referentes a 270 mil m² de áreas em 2017, um recorde para a GLP desde sua chegada ao Brasil, em 2012. O bom desempenho, segundo o executivo, se deve à localização dos galpões nas regiões nobres, que se beneficiaram do chamado ‘flight to quality’. Com isso, a GLP apresenta, atualmente, 90% de ocupação de seus galpões. “O último ano já foi muito bom para nós, antecipando essa perspectiva de melhora da economia, com empresas buscando os imóveis mais modernos. Esperamos que o cenário positivo continue neste ano”, diz. (Circe Bonatellicirce.bonatelli@estadao.com)

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