Mercado de prédios corporativos no Rio dá primeiros Passos para recuperação

Mercado de prédios corporativos no Rio dá primeiros Passos para recuperação

São Paulo, 05/10/2018 – Após anos seguidos em crise, o setor de edifícios corporativos de alto padrão no Rio de Janeiro tem dados sinais de uma recuperação incipiente, com crescimento das locações.

 

Entre janeiro a agosto de 2018, o total de áreas alugadas já superou o total de áreas devolvidas em 37,6 mil m2, segundo dados da consultoria imobiliária Cushman & Wakefield. No mesmo período do ano passado, o saldo era negativo em 3,9 mil m2, ou seja, havia mais devoluções do que locações.

“O mercado apresentou sinais positivos no Rio. Mas é um movimento tímido, que vem acontecendo aos poucos”, afirmou Jadson Mendes Andrade, gerente sênior de Pesquisa e Inteligência de Mercado da Cushman & Wakefield.

 

Apesar do avanço das locações, ainda não é possível afirmar que o mercado está, de fato, crescendo. Isso porque a maioria dos contratos não é fechada por empresas que estão ampliando suas sedes, mas sim se mudando de prédios antigos para edifícios mais modernos, em um movimento chamado pelo jargão “flight to quality“.

 

“Pelo lado da movimentação de ocupantes, houve expansão. Os inquilinos estão aproveitando para sair de prédios de qualidade inferior. Não estão, necessariamente, aumentando suas instalações”, ponderou Andrade. “E os empreendedores estão diminuindo os preços para atrair inquilinos”, acrescentou.

 

De acordo com a consultoria imobiliária, o Rio fechou o mês de agosto com 39,1% de espaços vagos nos edifícios corporativos de alto padrão, o que ainda pressiona para baixo o preço dos aluguéis. A estabilidade dos preços de locação só ocorre quando a vacância gira em torno de 12% a 15%, gerando um equilíbrio entre oferta e demanda, segundo consultores.

 

O presidente da BR Properties, Martin Jaco, estima que a vacância nos edifícios desse mercado ainda levará alguns anos para se estabilizar, mas concorda que há alguns sinais de melhora. “A absorção (locação) dos espaços está bem maior neste ano. Estamos no começo desse movimento de flight do quality, afirmou.

 

Segundo ele, essa migração das empresas em busca de localizações melhores representa o primeiro passo na recuperação do setor. Isso foi o que aconteceu na cidade de São Paulo, que já saiu da crise e se aproxima da estabilidade. “Em termos de timing, o mercado do Rio está defasado em dois a três anos em comparação com São Paulo”, estimou Jaco.

 

O diretor regional da consultoria imobiliária CBRE, Alberto Robalinho, lembra que os efeitos da crise econômica no Rio de Janeiro foram ainda mais profundos do que no restante do País devido à dependência da indústria de óleo e gás, que sofreu uma forte retração. Mas a tendência é de melhora do mercado imobiliário comercial, segundo ele.

 

“Para 2019, esperamos uma queda na vacância mais significativa”, disse. Na sua visão, isso deverá acontecer por conta de continuidade na recuperação da economia, ainda que em ritmo lento, e pela ausência de obras de novos edifícios, o que ajudará a restringir a oferta de escritórios daqui em diante.

 

Já os preços dos aluguéis ainda devem manter a trajetória de queda enquanto os prédios construídos nos últimos anos continuarem com muitos espaços vagos. “Para equilíbrio de preços teríamos que atingir cerca de 12% de vacância. Então, não consigo enxergar no curto prazo tendência de recuperação de valor de aluguel”. (Circe Bonatelli)

Fique por dentro do Mercado Imobiliário! Receba conteúdos gratuitamente.

Cadastre-se para receber os nossos conteúdos por e-mail.

Email registrado com sucesso
Opa! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.

Fale o que você pensa

O seu endereço de e-mail não será publicado.