Mercado Imobiliário de baixa renda amplia lucro e novos empreendimentos

São Paulo, 15/08/2017 – As incorporadoras que atuam na produção de imóveis para a população de baixa renda, dentro do Minha Casa Minha Vida (MCMV), tiveram melhora do lucro no segundo trimestre e planejam acelerar os lançamentos e as vendas, ao contrário das empresas que atuam no mercado de médio e alto padrão.

No geral, a bonança do setor se deve à atualização das regras do MCMV neste ano. O programa teve ampliação no valor dos imóveis e das faixas de rendas de famílias que podem participar. Outro fator positivo é a oferta de financiamento para compra das moradias com taxas reduzidas, graças a recursos provenientes do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Aqui, a taxa gira em torno de 7% a 8% ao ano, preservando o poder de compra dos consumidores. Já o crédito para a compra de moradias com preços mais altos tem taxas em torno de 10% ao ano.


“Vemos espaço para que a empresa siga crescendo. Ainda temos uma participação de mercado pequena e o setor de baixa renda é muito grande”, afirmou o copresidente da MRV, Eduardo Fischer, em entrevista ao Broadcast. No segundo trimestre, o lucro da companhia atingiu R$ 141 milhões, alta de 2,3% em um ano. Segundo Fischer, o ganho de mercado é considerado um reflexo natural da estratégia da construtora, cujo foco é expandir os lançamentos nas cidades de grande porte onde já está presente. Desta forma, a MRV pretende reforçar as vendas e capturar ganhos de escala e produtividade, sem ter que deslocar equipes para novas cidades, gerando outras despesas.

Na mesma linha, a Tenda espera seguir expandindo seus negócios, com o maior volume de lançamentos e vendas de imóveis gerando ampliação gradativa do faturamento e lucro a partir dos próximos meses. “Há uma tendência de incremento no resultado líquido da companhia daqui para frente. No segundo semestre, vai ser ainda mais forte”, ressaltou o diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Felipe Cohen. No segundo trimestre, o lucro já saltou 141%, para R$ 20,8 milhões.

Um dos possíveis gargalos para o crescimento do mercado imobiliário de baixa renda, segundo Cohen, estaria na indisponibilidade de recursos do FGTS. Ele observa que a adoção de medidas menos comuns, como a liberação de saques de contas inativas e direcionamento de recursos para o crédito consignado, geraram receio sobre o futuro da política para o FGTS. “O fundo é muito grande, mas essas ações tiram parte da sua liquidez. Nós entendemos que é um ponto para se acompanhar de perto”, afirmou.

Já a Direcional teve prejuízo líquido de R$ 29,7 milhões no segundo trimestre. Apesar dos números fortes nos lançamentos e nas vendas, a companhia sofreu perda de receita nos projetos da faixa 1 do MCMV. Este segmento é voltado para a população mais carente, de modo que até 90% do valor do imóvel é bancado pelo Tesouro Federal. Em 2016, essa faixa ficou paralisada durante o aperto fiscal. Em paralelo, os novos projetos da Direcional, dentro das faixas 2 e 3 estão em fase inicial, tendendo a encorpar o balanço só nos próximos trimestres.

Segundo o diretor vice-presidente, Ricardo Ribeiro Valadares Gontijo, a Direcional está empenhada em adquirir terrenos para sustentar os lançamentos daqui para frente. “Apenas no segmento Minha Casa Minha Vida adquirimos nove terrenos (entre abril e junho), e esse ritmo deve continuar nos próximos trimestres”. (Circe Bonatelli – circe.bonatelli@estadao.com)

Fonte: Broadcast

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