Moradia compartilhada ganha impulso em São Paulo com novos prédios e startup

Moradia compartilhada ganha impulso em São Paulo com novos prédios e startup

São Paulo, 28/04/2019 – A economia colaborativa trouxe novos ares para a forma de consumo no mundo, incluindo para os estilos de morar. A moradia compartilhada – conhecida como coliving – deixou de ser coisa só de gente jovem e caiu nas graças de outras faixas etárias. A escolha vai além do aspecto financeiro e atrai consumidores que querem morar perto do trabalho, da faculdade, reduzir gastos ou não envelhecer sozinho.

Em São Paulo, as construtoras estão investindo em espaços dedicados ao coliving. São edificações com quartos ou apartamentos de metragem reduzida e estrutura pronta para receber moradores com áreas compartilhadas como academia, lavanderia, cozinha e coworkings. Os ambientes privados são divididos ou não, segundo a escolha do morador, e as demais despesas com condomínio, limpeza, manutenção e serviços estão inclusos na conta.

 

“São locais onde os moradores podem se divertir, trabalhar e conviver, com interesses em comum”, explica Renato Marostega, gerente do Kasa, coliving idealizado há dois anos pela incorporadora Gamaro. De quebra, ainda participam de eventos realizados pela administração, como happy hours, jantares, encontros comemorativos, entre outros.

 

Localizado na Vila Olímpia, o prédio conta com 243 apartamentos e, inicialmente, foi desenvolvido com foco no público estudantil. Porém, a procura acabou surpreendendo a incorporadora. “Hoje temos muitos moradores que trabalham como autônomos e também profissionais da área de TI”, conta Marostega.

 

De acordo com o gerente do Kasa, a média de idade dos moradores é 30 anos, sendo 60% do sexo masculino. “Temos também vários moradores de Argentina, China e Espanha.” A intenção da incorporadora, diz Renato, é investir em novos empreendimentos dessa linha.

 

Criada em 2012, a Uliving trouxe o conceito de “student housing” (moradia estudantil, em inglês) para o Brasil e abriu novos caminhos para o mercado de propriedades para locação focados em estudantes. Com cinco prédios em São Paulo, totalizando 500 camas disponíveis em quartos mobiliados individuais ou compartilhados, a empresa oferece uma infraestrutura compartilhada como lavanderia, internet, salas de estudos, espaços de convívio, churrasqueiras, cozinha comunitária, entre outros.

 

De acordo com Juliano Antunes, CEO da Uliving, a segmentação do público é importante para que a convivência seja bem aproveitada nos espaços compartilhados. “Nós fomentamos o espírito de comunidade em nossas unidades. Organizamos eventos sociais, jantares, encontros e até mesmo palestras de cunho educacional. Trazemos especialistas para falar de assuntos de interesse como culinária, segurança na internet e finanças.” O objetivo, segundo ele, é abrir mais três novos empreendimentos até 2020, totalizando 800 camas disponíveis.

 

Afinidades – Ao tomarem conhecimento sobre o coliving – bastante disseminado lá fora, nos Estados Unidos e na Europa – Veronique Forat e Marta Monteiro decidiram criar a startup Morar.com.vc, que tem como intuito conectar pessoas com interesses em comum para morar junto.

 

Segundo Veronique, na pesquisa inicial feita pelas sócias com mais de 1.200 pessoas, mais de 80% demonstraram interesse em habitar em um coliving. Porém, entre os obstáculos apresentados, a falta de afinidade foi o principal deles. “Entendemos que ali poderia estar a base do nosso negócio”, diz.

 

Por meio de um questionário disponível na plataforma, a Morar.com.vc coleta informações detalhadas dos públicos interessados na relação do coliving – quem quer disponibilizar seu espaço e quem está em busca de um local para alugar. De acordo com Veronique, é feito o cruzamento de dados para a busca do match – casamento entre os dois interesses. “A maioria das pessoas que oferecem seus espaços tem mais de 35 anos e está em busca de aumentar renda.”

 

Até o momento, mais de 2 mil pessoas já preencheram o formulário na plataforma e, desde a criação da empresa, há dois anos, já foram dados mais de 200 matches. “Agora temos um novo sócio da área de TI que está implantando um sistema de automatização de matches. Até então eram feitos de forma manual”, enfatiza Veronique. “As chances dessa convivência dar certo são elevadas. As pessoas querem viver em harmonia e de forma prazerosa.”

 

Para Gisela Castro, professora do programa de pós-graduação em comunicação e práticas de consumo da ESPM, o coliving deve ditar novas regras do morar nos próximos anos, principalmente no que diz respeito ao envelhecimento. “As pessoas estão vivendo cada vez mais e sendo donas de seu destino, escolhendo como vão viver daqui para frente. O coliving se tornou uma forma atraente de envelhecer com qualidade e junto a outras pessoas.” (Júlia Zillig, especial para o Estado)

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