Tegra volta a Bolsa

MRV aposta em diversificação para garantir crescimento nos próximos anos

São Paulo, 02/03/2020 – Após fechar o último trimestre de 2019 com queda no lucro líquido, a MRV se diz otimista com 2020 e as perspectivas de retomada do crescimento por meio da diversificação dos negócios. A mudança foi iniciada há mais de um ano, com a ampliação do portfólio de projetos fora do Minha Casa Minha Vida (MCMV), onde a construtora tem seu principal eixo de atuação. No seu capítulo mais recente, o grupo fechou em janeiro a compra da construtora AHS, sediada nos Estados Unidos. “Estamos muito animados. Temos vias de crescimento, com potencial grande no Brasil e lá fora”, disse ao Broadcast o copresidente da MRV, Eduardo Fischer.

A MRV projeta elevar a produção anual de apartamentos da AHS de 600 unidades no fim de 2019 para 900 unidades em 2020 e 5,1 mil unidades em 2028. Se cada unidade for vendida por US$ 220 mil, em média, o faturamento com pode alcançar US$ 1,1 bilhão em 2028, ou R$ 4,9 bilhões no patamar atual de câmbio, pelos cálculos da MRV. O montante equivale a 80% da sua receita líquida atual. Fischer contou que cinco executivos da MRV já foram para os Estados Unidos, e outros devem se mudar em breve.

No Brasil, a companhia espera recuperar gradualmente a margem bruta perdida, que afetou o último balanço, impactada principalmente por custos com a adoção de mão de obra própria para execução das paredes dos prédios em concreto no lugar de tijolos. Essa alternativa de engenharia emprega formas de alumínio e tem sido a chave para padronizar e agilizar a construção, o que ajudará a melhorar a rentabilidade futura. “Nos próximos trimestres devemos voltar a subir a margem para o patamar que operamos tradicionalmente”, estimou. A MRV fechou 2019 com margem bruta de 30,4% ante 33,2% em 2018.

Fischer também disse que está otimista com a reformulação do Minha Casa Minha Vida, que está em discussão em Brasília desde o ano passado. O executivo disse ainda não saber com exatidão as propostas, mas avaliou que o anúncio oficial esperado para breve ajudará a afastar incertezas de investidores. “Vemos nas interações que o governo tem a intenção legítima de ver o programa ser melhorado. O novo ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, é um cara espetacular, e isso fica mais próximo. É um gatilho de geração de valor”, disse.

No próximo trimestre, a MRV vai lançar uma nova linha de apartamentos dentro do MCMV para atender famílias com renda mensal entre R$ 2 mil e R$ 2,8 mil. Esse público representa 25% dos consumidores que visitam estandes da companhia, mas enfrentavam dificuldades em fechar negócio devido ao corte de subsídios da faixa 1,5 do programa. A nova linha, batizada de “Essencial”, terá condomínios com área menor e menos opções de lazer. Em contrapartida, os preços das unidades serão mais baixos, a partir de R$ 135 mil, ante o preço médio de R$ 169 mil praticado pela MRV. A meta é elevar a participação desses projetos para 20% do portfólio em alguns anos, ante cerca de 5% hoje. A rentabilidade será igual ao dos outros projetos, disse Fischer.

O copresidente comentou ainda que está animado com a Luggo, subsidiária voltada para a locação de imóveis. Dez terrenos foram adquiridos para construção de novos empreendimentos nas cidades de Salvador, São Paulo, Campinas, Belo Horizonte, Porto Alegre e Brasília, totalizando 2,2 mil novas unidades. O grupo pretende ainda fazer no fim de 2020 ou início de 2021 uma oferta subsequente do fundo imobiliário residencial Luggo, que foi criado para incorporar os projetos da subsidiária. No último trimestre, o fundo arrematou quatro edifícios por R$ 90 milhões. (Circe Bonatelli, da Agência Estado)

Fique por dentro do Mercado Imobiliário! Receba conteúdos gratuitamente.

Cadastre-se para receber os nossos conteúdos por e-mail.

Email registrado com sucesso
Opa! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.

Fale o que você pensa

O seu endereço de e-mail não será publicado.