MRV pretende zerar os distratos até 2019, estima Fischer

São Paulo, 16/10/2017 – A MRV Engenharia pretende eliminar até o começo de 2019 a ocorrência de distratos na empresa, principal problema que afeta o mercado imobiliário, de acordo com estimativa do copresidente da companhia, Eduardo Fischer.

No terceiro trimestre, a quantidade de cancelamentos de contratos de compra e venda de unidades na planta já teve um recuo relevante. Os imóveis alvos de distratos somaram R$ 265 milhões, queda de 16,0% em relação ao mesmo período do ano passado. Além disso, as unidades distratadas corresponderam a 17,1% das vendas, ante 22,9% um ano antes.

“A tendência é cair cada vez mais”, estimou Fischer, em entrevista ao Broadcast. “No fim de 2018 ou início de 2019, quem olhar o balanço da MRV vai enxergar distrato zero”, complementou.

Na visão do executivo, a extinção dos distratos será o desdobramento natural de uma prática já adotada pela companhia. Desde o começo deste ano, a incorporadora decidiu contabilizar as vendas de imóveis só após a assinatura do contrato de financiamento da unidade pelos clientes, minimizando a possibilidade de reversão da venda.

A prática, entretanto, só é permitida em alguns setores do mercado imobiliário, como nos financiamentos da Caixa Econômica Federal para imóveis com valores inferiores a cerca de R$ 350 mil. Nesse segmento estão enquadrados os projetos do Minha Casa Minha Vida (MCMV), foco de atuação da MRV.

Já as incorporadoras que atuam no segmento de médio e alto padrão não contam com essa alternativa de financiamento e repasse dos clientes, o que as deixa mais vulneráveis à incidência de distratos. Por sua vez, o projeto de lei que irá regulamentar as rescisões de negócios está parado na Casa Civil enquanto o governo federal aguarda um momento menos conturbado para dar andamento no tema.

Fischer reiterou a meta da MRV em manter a trajetória de expansão dos lançamentos e das vendas. No trimestre, as vendas brutas foram de R$ 1,5 bilhão, maior patamar já registrado pela companhia. “Tinha potencial de ser um volume ainda maior”, observou Fischer, lembrando que o condicionamento da contabilidade das vendas ao repasse diminuiu a velocidade de comercialização.

O crescimento dos negócios continuará impulsionado a compra de terras para abastecer os futuros projetos. “Estamos no pico do movimento de compra de terrenos. Vamos manter o volume de compras em 2017 e em 2018”, ressaltou.

O executivo explicou que ainda é possível adquirir áreas com descontos ou condições facilitadas de pagamento, situação que tende a desaparecer com o reaquecimento da economia brasileira. “Temos baixa alavancagem, o que nos permite aproveitar essas oportunidades. A janela ainda está aberta mas tende a se fechar”, emendou. (Circe Bonatelli – circe.bonatelli@estadao.com)

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1 Comentário

  1. Estamos no meio de 2019 e a MRV tem cada vez mais casos de distrato. É só pesquisar as estatísticas. Como se não bastasse para receber os valores pagos a titulo de entrada nos casos de distrato por culpa exclusiva da construtora é uma verdadeira saga.. Paguei um valor alto (todas as minhas economias) e no meio do caminho as regras mudaram e eu fui obrigada a pedir o distrato, desde então tenho vivido uma situação de sucessivas desculpas esfarrapada e tentativas de me enrolar. Talvez esteja na hora das mídias retomarem o assunto distrato com as construtoras e não esquecer de entrevistar os consumidores.

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