Nova regra eleva competição no crédito imobiliário e deve atrair mais bancos, diz ABECIP

Nova regra eleva competição no crédito imobiliário e deve atrair mais bancos, diz ABECIP

São Paulo, 07/08/2018 – As novas regras do financiamento imobiliário, anunciadas na semana passada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), são positivas e têm potencial não só para ampliar a oferta de produtos bem como aumentar a competitividade neste mercado com a atração de novos players. A opinião é do presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Gilberto Abreu. “As medidas têm efeito muito positivo e são uma sequência das publicações do Banco Central para o mercado como a normatização das Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs) e a liberação dos depósitos compulsórios”, avalia ele, em entrevista ao Broadcast.

As mudanças, que entram em vigor no dia 1º de janeiro de 2019, conforme Abreu, vão na linha de um mercado mais moderno, mais simples e também mais competitivo. Isso porque, de acordo com o presidente da Abecip, as novas regras permitem que a aplicação dos recursos da poupança continuem sendo direcionados para o crédito imobiliário, mas de forma “mais inteligente”.

 

Conforme anunciado pelo CMN, na semana passada, a exigência de que os bancos direcionem 65% de seus depósitos de poupança para empréstimos hipotecários foi mantida, entretanto, os mesmos foram liberados da obrigatoriedade de investir 80% dos recursos em financiamentos no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), que inclui poupança e FGTS e cujas taxas são inferiores às de mercado. Assim, as instituições financeiras seguem tendo de destinar o montante para hipotecas residenciais, mas passam a ter a liberdade para determinar os juros.

 

A mudança, conforme Abreu, adiciona mais liberdade para a criação de novos produtos no crédito imobiliário sem que os mesmos estejam indexados à Taxa Referencial (TR). Assim, a expectativa, segundo ele, é de aumento de competição em termos de ofertas de soluções no segmento. Além disso, a ampliação do leque deve servir de gatilho para elevar a securitização das operações de financiamentos de imóveis, que hoje é limitada.

 

O presidente da Abecip espera que as novas regras sirvam de ímã para atrair um maior número de bancos para o crédito imobiliário. Ele cita, por exemplo, os bancos médios que poderão passar a atuar no segmento a partir da possibilidade do lançamento de produtos não indexados à TR fora a alternativa de captação de recursos por meio da emissão de LIGs.

 

Dentre as principais mudanças está a ampliação do teto do valor de imóveis que podem ser comprados com recursos do FGTS, que passou para R$ 1,5 milhão. Antes, era de R$ 950 mil para São Paulo, Rio, Brasília e Belo Horizonte e de R$ 800 mil nas demais localidades. De acordo com o BC, as novas regras têm potencial de injetar cerca de R$ 80 bilhões no crédito imobiliário ao longo dos próximos seis anos.

 

Em geral, conforme Abreu, as medidas trarão benefícios no médio e longo prazo. Ele pondera, contudo, que de imediato ainda é preciso ver uma resposta mais forte da demanda de mutuários e empresários para fazer com que o mercado de crédito imobiliário retome o vigor de crescimento visto no passado. “Apesar da criação das medidas contribuírem para fomentar e trazer mais dinheiro para o mercado, é preciso que as pessoas físicas tenham vontade de comprar imóveis, o empresário de investir”, destaca ele.

 

Uma maior demanda, segundo o presidente da Abecip, deve se materializar mais no próximo ano caso o País entre num cenário de reformas, otimismo com a economia, queda do juro de longo prazo e controle das contas públicas. “Quando a oferta e a demanda se encontrarem, o mercado de crédito imobiliário vai crescer bastante”, avalia ele.

 

Projeções

Apesar disso, o ambiente de juros baixos e melhor desempenho da poupança tem refletido de forma positiva no segmento. Tanto é que a Abecip revisou suas projeções de 2018 para cima. A entidade espera que o setor, considerando recursos do FGTS e da poupança, cresça 17% e não mais 15% como anteriormente.

 

Para o FGTS, como depende do orçamento do Fundo, a expectativa foi mantida em alta de 19%. Já quanto aos financiamentos que usam a caderneta como funding, a projeção de expansão para 2018 subiu de 10% para 16%.

 

De janeiro a junho, os financiamentos imobiliários tiveram alta de 23%, atingindo R$ 25,29 bilhões, conforme dados da Abecip. Foram financiadas entre aquisições e construções um total de 98,84 mil imóveis, avanço de 19,8% em um ano. (Aline Bronzatialine.bronzati@estadao.com)

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