PIB da construção deve subir 2,0% em 2018, revertendo série de baixas, diz SINDUSCON

São Paulo, 30/11/2017 – O Produto Interno Bruto (PIB) da Construção Civil no País deve crescer 2,0% em 2018, de acordo com projeção divulgada há pouco pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) e pela Fundação Getulio Vargas. Se essa perspectiva de crescimento for confirmada no próximo ano, o setor chegará a uma inflexão após três anos seguidos de recessão. O PIB da Construção deve recuar 6,4% em 2017, de acordo com estimativa revisada pelas entidades. No começo deste ano, a previsão inicial era de que o setor alcançaria uma expansão de 0,5%.

A indústria da construção permaneceu sob pressão negativa de uma série de fatores ao longo dos últimos meses. Do lado do mercado imobiliário, ainda há ocorrência de muitos distratos nas vendas e dificuldade dos incorporadores em baixar os estoques, o que inibe o desenvolvimento de novos projetos. Além disso, o Minha Casa Minha Vida (MCMV) contratou menos empreendimentos do que a meta divulgada. Já no campo das obras de infraestrutura, houve paralisação de investimentos públicos em meio aos escândalos revelados pela Operação Lava Jato e à crise fiscal.

“O investimento não reagiu da maneira esperada, e nós vamos encerrar o ano com uma queda no PIB da construção. É algo bastante ruim”, comentou a coordenadora de estudos da construção da FGV, Ana Maria Castelo, durante entrevista coletiva à imprensa. “Há um excesso de oferta de imóveis tanto residenciais quanto comerciais. O desemprego ainda está elevado, e os consumidores tiveram restrição de crédito. Os bancos estiveram rigorosos na concessão de financiamento”, explicou. A coordenadora disse que houve melhora nas contratações do MCMV nos últimos meses, mas as obras só terão início no próximo ano, sem efeitos para o PIB de 2017.

O presidente do Sinduscon-SP, José Romeu Ferraz Neto, observou também que o investimento público ficou em um patamar abaixo de 1,5% do PIB Nacional, um patamar ainda menor do que nos últimos anos. Desse modo, novas obras foram novamente postergadas. “Esse é um nível baixíssimo. Para que o Brasil tenha uma infraestrutura que atende às suas demandas, seria preciso que esse patamar chegasse a 5%”, ressaltou. (Circe Bonatellicirce.bonatelli@estadao.com)

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