Projeto que cria Parque do Bexiga é aprovado na Câmara de São Paulo

Prefeitura de SP tomba Complexo do Carandiru e 29 imóveis na região central

São Paulo, 11/11/2019 – A Prefeitura de São Paulo homologou o tombamento de 30 bens na cidade, cuja preservação havia sido aprovada em março de 2018. A lista inclui parte do antigo Complexo Penitenciário do Carandiru, na zona norte, além de 13 imóveis na Santa Efigênia e outros 16 na Liberdade, ambos na região central da cidade.

Todos os tombamentos foram aprovados pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) durante uma maratona de reuniões no início do ano passado. Com a decisão, restauros, reformas e outras intervenções nos imóveis precisarão ser analisadas pelo Departamento do Patrimônio Histórico (DPH)  e aprovados pelo Conpresp.

O tombamento do antigo Complexo Penitenciário do Carandiru inclui o portal da penitenciária, na Avenida General Ataliba Leonel (datado da década de 20), os dois pavilhões restantes da Casa de Detenção (que deverão manter a configuração da década de 50) e os remanescentes das muralhas e arquitetônicos, além do antigo edifício da prisão-albergue (com características da década de 50).

A resolução do Conpresp destaca que o complexo é “fundamental para a preservação da história prisional no Brasil, ocupando lugar de destaque nesta trajetória”. Com obra iniciada em 1911 e inaugurada nove anos depois, a antiga Penitenciária do Estado teve a estrutura ampliada ao longo das décadas, tornando-se um complexo. O projeto foi liderado pelo escritório de Ramos de Azevedo, que se inspirou na arquitetura prisional francesa.

“Os ‘generosos cubos’, os pavilhões da Casa de Detenção, são referências urbanas há mais de meio século e representam para a população paulistana e brasileira a memória histórica, triste, mas não menos importante, conhecida como o ‘massacre do Carandiru’, e que têm a função de perpetuar às gerações futuras, o resultado desastroso dessa ação do homem e contribuir para que não se repita”, diz a resolução.

Com a implosão de parte dos pavilhões, o antigo complexo hoje reúne o Parque da Juventude, a Biblioteca São Paulo, a ETEC Parque da Juventude, onde foi instalado o Centro Memória Carandiru em 2018, e o Museu Penitenciário Paulista.

Agora oficialmente tombado, o Conjunto São Joaquim – Pirapitingui inclui 16 bens na região da Liberdade, além de incluir a preservação ambiental do Vale Córrego dos Lavapés. Dentre os imóveis, estão um grande sobrado na Rua Pirapitingui, 72, hoje cercado por edifícios e a sede da  Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil, e a sede da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa.

A lista inclui tanto bens em bom quanto em mau estado de conservação, projetados por arquitetos como Ramos de Azevedo, Giovanni Battista Bianchi, Zenon Lotufo, Rino Levi, Vilanova Artigas, Carlos Cascaldi e Paulo Mendes da Rocha. Os imóveis têm influências italiana, alemã, japonesa e moderna.

A resolução de tombamento teve como base um levantamento do Caderno Igepac (Inventário Geral do Patrimônio Ambiental, Cultural e Urbano de São Paulo), elaborado pela gestão municipal em 1987. Ela destaca que o “conjunto edificado nas Ruas Pirapitingui, Taguá, São Joaquim e Dr. Siqueira Campos tem significância enquanto testemunho remanescente do parcelamento e ocupação originais daquela área do bairro da Liberdade no final do século XIX, mas que também comporta edificações modernas que representam outras fases de desenvolvimento do bairro”.

Também foi oficializado o tombamento de 13 imóveis na Santa Efigênia, na região central de São Paulo. Hoje, a maioria deles têm comércio no térreo. A resolução do Conpresp destaca a “importância histórica e urbanística do bairro”, que considera “uma das primeiras cintas de expansão urbana em torno do núcleo central”, reunindo imóveis desde o final do século 19 até a década de 70.

Ressalta, ainda, “a pluralidade de usos registrados no bairro – residencial, comercial e de lazer – expressando novas formas de viver especificamente urbanas, percebidas do século 19 até o presente, bem como a diversidade social de seus moradores, configurando o espaço de ensaio da São Paulo pragmática e moderna, com palacetes unifamiliares dos primeiros fazendeiros citadinos; palacetes unifamiliares reunindo lojas, escritórios e moradias; oficinas diversas e moradias das camadas médias e pobres da cidade industrial”. (Priscila Mengue, do jornal O Estado de S.Paulo)

Fique por dentro do Mercado Imobiliário! Receba conteúdos gratuitamente.

Cadastre-se para receber os nossos conteúdos por e-mail.

Email registrado com sucesso
Opa! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.

Fale o que você pensa

O seu endereço de e-mail não será publicado.