Banco do Brasil quer avançar no uso do Pró-Cotista para crédito imobiliário diante de ausência da Caixa

São Paulo, 25/07/2017 – O Banco do Brasil está intensificando suas iniciativas para expandir a carteira de crédito imobiliário, com foco no Pró-Cotista, segmento que tem uma das menores taxas de juros do mercado e recursos provenientes do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Com isso, o Banco do Brasil quer aproveitar a boa demanda nessa modalidade e o vácuo deixado pela Caixa Econômica Federal, onde os recursos dessa linha específica acabaram.

No primeiro semestre, o BB liberou R$ 700 milhões via Pró-Cotista. Para o restante do ano, há potencial para mais R$ 1,8 bilhão, do qual uma parte já foi solicitada por clientes e está em fase de análise. A Caixa, líder de financiamentos residenciais, liberou R$ 6 bilhões e suspendeu no início deste mês novas concessões nessa linha por falta de recursos, que são repassados conforme determinação do Conselho Curador do FGTS e não há mais repasses previstos. No BB, porém, a taxa de juros é de 9,0% ao ano, mais cara do que na Caixa, que oscilava entre 7,8% a 8,8% ao ano.

Na tentativa de ganhar mercado, o BB, vice-líder do setor, começou a disparar comunicados para 110 mil clientes com informações detalhadas sobre o Pró-Cotista e as condições para acesso aos recursos. O objetivo é fisgar novos consumidores. Além disso, cerca de 33 mil destinatários das mensagens (30%) da lista foram avaliados antecipadamente e contarão com o crédito pré-aprovado.

“Estamos fazendo uma abordagem estratégica junto aos clientes para crescermos nessa linha de financiamento”, afirma o gerente executivo de crédito imobiliário do BB, Rudimar Locatelli. Nos últimos 12 meses, o banco teve um crescimento de 70% nesta carteira de crédito, que chegou a R$ 2,5 bilhões. A participação média do Pró-Cotista na carteira de crédito imobiliário passou de 10% em 2015 para 30% no fim de 2016. “E deve continuar aumentando ao longo do semestre”, diz Locatelli.

Segundo ele, o avanço do Pró-Cotista tende a continuar nos próximos meses devido as juros menores do que de outras linhas do mercado, onde as taxas giram em torno de 10% ao ano. A modalidade pode ser usada para a compra de imóveis novos de até R$ 1,5 milhão e usados de até R$ 950 mil nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Distrito Federal e de até R$ 800 mil para os demais Estados. O prazo de amortização é de até 360 meses, e cobre até 90% do valor do imóvel para as propostas enquadradas no Sistema de Amortização Constante (SAC) e até 80% na Tabela Price.

Locatelli acrescentou que o BB também aprimorou vários processos internos para reduzir a burocracia. A instituição tem a meta de terminar 2017 com a capacidade de liberar o crédito em até 30 dias. Hoje, 60% dos processos já são feitos em até 20 dias. Os clientes também podem acompanhar o andamento da liberação do empréstimo via tablet ou celular, agilizando regularização de documentações, quando necessário.

Demais linhas

O executivo do Banco do Brasil disse que tem percebido uma recuperação do mercado de crédito imobiliário, refletindo alguns sinais de melhora da economia nacional, com a redução da taxa básica de juros. Nos últimos 12 meses até março, a carteira de crédito imobiliário total do banco cresceu 6,6%.

No primeiro semestre, a instituição ainda baixou os juros dos empréstimos no Sistema Financeiro da Habitação (SFH) de 11,29% para 9,99% ao ano. Questionado se vê espaço para novos cortes em meio ao ciclo de queda da Selic, Locatelli evitou antecipar novos movimentos e disse apenas que o banco continuará avaliando o mercado.

Ele frisou ainda que o BB continuará trabalhando no Minha Casa Minha Vida (MCMV) após ter realizado ajustes internos. Grandes incorporadoras do País, como MRV, Tenda e Direcional, vêm apontando o afastamento do BB no programa habitacional e maior dificuldade de repasse de clientes neste segmento, devido a critérios mais rígidos de concessão de crédito. Segundo esses empresários, a situação criou um “monopólio” da Caixa no MCMV.

“O banco aproveitou o movimento de adequação do mercado para fazer ajustes internos. Temos, historicamente, participação no programa e a estratégia permanece em atender os parceiros”, sintetizou Locatelli.

(Circe Bonatellicirce.bonatelli@estadao.com)

Fonte: Broadcast

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