Procura por espaço em prédios corporativos volta a crescer em São Paulo

São Paulo, 17/08/2017 – O mercado de edifícios corporativos de alto padrão de São Paulo está passando por um reaquecimento neste ano, com avanço na quantidade de áreas comercializadas. O resultado representa uma inflexão no setor, que sofreu com excesso de prédios vagos e queda dos aluguéis nos últimos anos.

No primeiro semestre de 2017, o saldo entre áreas alugadas e devolvidas (absorção líquida) ficou positivo em 83 mil m2, revertendo o saldo negativo de 29 mil m2 em 2016, conforme dados da consultoria CBRE, uma das líderes globais em pesquisas imobiliárias.

A cidade de São Paulo também teve uma absorção bruta (apenas locações, sem considerar devoluções) recorde no primeiro semestre, totalizando 457 mil metros quadrados. Isso equivalente a 70% da área comercializada em todo o ano passado, sinalizando um avanço forte da demanda.

“Invertemos completamente a tendência de baixa”, ressalta o vice-presidente de Ocupantes da CBRE, Fernando Faria. Na sua avaliação o reaquecimento do setor reflete o ambiente menos espinhoso da economia brasileira, com queda da inflação e dos juros, estabilização do nível de empregos e aumento na confiança das empresas.

O executivo também observa que a cidade tem muitos espaços vagos em torres de alto padrão recém-construídas, onde os aluguéis foram reduzidos na tentativa de capturar inquilinos. Isso atraiu empresas que, até então, estavam sediadas em edifícios antigos ou mal localizados.

“O mercado brasileiro de escritórios ainda não é consolidado. Apenas um terço dos prédios de São Paulo é de boa qualidade”, observa Faria, referindo-se a características prediais como presença de ar condicionado central, pé-direito elevado, lajes livres de colunas, entre outras. “Nesse sentido, a crise liberou uma demanda latente por espaços mais adequados para as sedes das empresas”, explica.

O vice-presidente de Locações da CBRE, Adriano Sartori, acrescenta que o mercado caminha para a estabilização, pois há menos prédios novos em construção, quando comparado com o “boom” do setor anos atrás. Segundo a consultoria, os prédios a serem entregues neste ano somarão 370 mil m2 ao estoque de lajes corporativas. “Essa é a última grande onda do mercado. Daqui para frente, o cenário está dado”, diz.

Como consequência de aumento na demanda e desaceleração da oferta, a quantidade de espaços vagos nos prédios em São Paulo teve um leve recuo de 19,8% em dezembro de 2016 para 19,5% em junho de 2017, segundo dados da CBRE. Nesse período, o preço médio do aluguel na cidade ficou estável. Já na comparação com 2012, ápice do aquecimento no setor, os aluguéis acumulam queda de 30%.

Negócios
O cenário de inflexão tende a permitir que os proprietários passem a reduzir os benefícios concedidos na comercialização dos imóveis, como descontos em aluguéis, carência no pagamento de condomínio e até incentivos em dinheiro para gastos com mudança e mobiliário. Já o aumento real no aluguel é algo que deve começar a ser visto só em 2018, segundo empresários.

“Esperamos que haja uma redução nas concessões desses benefícios ao longo dos próximos 12 meses”, estima o presidente da Cyrela Commercial Properties, Pedro Daltro. “O pêndulo está começando a se inclinar para o proprietário após cerca de quatro anos favorável aos inquilinos”.

Para ilustrar o reaquecimento da demanda, Daltro cita como exemplo o edifício Miss Silvia Morizono, localizado na Av. Faria Lima, com 16,2 mil m2 de área para escritórios. O imóvel foi inaugurado no segundo trimestre e já está 60% alugado. “Não víamos um nível de locação tão alto em um prédio novo há mais de dois anos”, afirma.

O diretor presidente da BR Properties, Martin Jaco, também vê uma inflexão no mercado paulistano, com tendência de redução dos benefícios nos próximos meses e um início de valorização dos aluguéis a partir do ano que vem. “O grande volume de renegociações de contratos com inquilinos, com queda no valor de locação, já ocorreu”, diz.

Jaco acredita que, em 2018, os aluguéis de prédios com muitas áreas vagas se estabilizarão, enquanto as renovações de contratos nos prédios já ocupados, em localizações nobres, podem ficar iguais ou até subir.

Tanto a Cyrela Commercial Properties quanto a BR Properties anunciaram, nos últimos dias, planos de comprar novos edifícios para seus portfólios, com foco em São Paulo. A primeiro fechou parceria com o CPPIB (fundo de investimentos canadense) para aportar um total de US$ 400 milhões na compra de imóveis nos próximos três anos. Já a BR Properties também anunciou interesse na aquisição de ativos, mas sem detalhar metas. (Circe Bonatelli – circe.bonatelli@estadao.com)

Fonte: Broadcast

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