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Ritmo de recuperação das incorporadoras é incerto, dizem empresários e analistas

São Paulo, 19/04/2018 – Os resultados parciais de vendas e lançamentos das incorporadoras de capital aberto no primeiro trimestre indicam que o ritmo de recuperação do mercado imobiliário ainda é incerto e pode ficar mais lento do que o esperado no ano, segundo empresários e analistas do setor.

Até aqui, oito incorporadoras listadas na bolsa já divulgaram relatórios operacionais preliminares: Cyrela, Direcional, Even, Eztec, Gafisa, MRV, RNI (antiga Rodobens Negócios Imobiliários) e Tenda.

 


Os lançamentos do conjunto somaram R$ 2,2 bilhões no primeiro trimestre, queda de 18% em relação ao mesmo período do ano passado. Cyrela, MRV, Tenda e Even diminuíram os lançamentos. Os dados consolidados foram bastante influenciados pela MRV, que têm um peso grande no setor e registrou corte de 34% nos novos projetos, para R$ 805 milhões.

Por sua vez, as vendas brutas atingiram R$ 3,5 bilhões, alta de 25%. As vendas líquidas tiveram um crescimento mais expressivo, de 31%, chegando a R$ 3,0 bilhões, influenciadas pela redução dos distratos. Todas as incorporadoras anotaram expansão das vendas líquidas, com exceção da Even (queda de 7%, para R$ 196 milhões).

O diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Eztec, Emílio Fugazza, acredita que o mercado imobiliário atravessa uma período de recuperação, porém não deslanchou devido a fatores circunstanciais, como as dificuldades de licenciamento na cidade de São Paulo, onde o direito de protocolo foi barrado por liminar da Justiça.

“O primeiro trimestre teve redução dos lançamentos, mas isso não está ligado a fatores de mercado. Acho que seria desejo dos incorporadores lançar mais do que foi lançado”, avalia Fugazza, referindo-se à melhora do ambiente macroeconômico e da demanda por imóveis. A Eztec lançou apenas um empreendimento até abril e já conseguiu vender mais de 70% das unidades até aqui. “É um índice similar ao do boom dos idos de 2008 e 2009. Então, dá para dizer que há uma recuperação estrutural em andamento”, comenta.

Como os lançamentos das incorporadoras de capital aberto ainda não deslancharam, analistas veem o risco de o ano acabar mais fraco do que o inicialmente esperado. Em primeiro lugar, isso pode acontecer porque não há prazo para se derrubar na Justiça o veto ao direto de protocolo, o que deverá provocar o adiamento de novos projetos em São Paulo. Em segundo lugar, porque os dias de jogos da Copa do Mundo e a falta de clareza sobre o quadro eleitoral do País podem adiar as decisões de compra de imóveis pelos consumidores no segundo semestre.

“Vejo a possibilidade de que a recuperação seja mais branda, tendo em vista a indefinição sobre o direito de protocolo e o cenário eleitoral incerto”, comenta o analista de construção do banco Credit Suisse, Luis Stacchini. Ele pondera, entretanto, que essas dificuldades não mudam a trajetória de recuperação, podendo apenas atenuá-la.

Pelo lado das vendas, Stacchini acrescenta que o volume das vendas brutas ainda não é consistente, mesmo que os principais indicadores de demanda tenham melhorado. “O que falta para uma melhora ainda é o crescimento da confiança dos consumidores”, diz. Ele observa que boa parte do crescimento das vendas líquidas ainda está relacionada à redução dos distratos em decorrência da queda da quantidade de obras durante a crise. Com menos entregas de obras, há menos rescisões, melhorando o indicador de vendas líquidas.

Outro analista de construção concorda que as turbulências não mudam a trajetória de recuperação do setor, mas aumentam os riscos de um “downside”, isto é, uma piora nas expectativas. “O período da Copa do Mundo costuma ser fraco para as vendas, e as eleições são uma caixinha de surpresa. Para nós, a queda nos lançamentos no trimestre acendeu a luz amarela”, diz. (Circe Bonatelli – circe.bonatelli@estadao.com)

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