Empresas e Setores – Crise Política já adia a recuperação do setor de galpões logísticos para 2018, avaliam empresários

São Paulo, 19/07/2017 – O clima de incerteza sobre os rumos do País adiou a retomada mais firme do mercado de galpões logísticos de 2017 para 2018, na visão de consultorias imobiliárias e donas de propriedades. O setor permanece à espera de estabilização do cenário político e um crescimento da economia brasileira que seja robusto o bastante para elevar a criação de empregos e as vendas do varejo e da indústria – fatores essenciais para aumentar a demanda por galpões para armazenagem e distribuição de mercadorias.

“No começo do ano, o mercado tinha um humor diferente. Havia muitas visitas a galpões e negociações em curso. Após as delações (da cúpula da JBS, em maio, contra o presidente Michel Temer), o mercado travou”, conta o diretor comercial da Engebanc Real Estate, Abiner Oliveira. “O mercado foi bastante impactado por conta da crise política. Acredito que a recuperação esperada para o fim deste ano fique para o início do ano que vem”, completa.

“As novas locações de galpões se tornaram algo raro após as delações. Ninguém está tomando decisão de negócio neste momento e não esperamos mudança no cenário no curto prazo”, afirma o diretor de mercado de capitais da Cushman & Wakefield, Mario Sergio Gurgueira. “Para vermos melhoria no segmento de galpões ainda é preciso melhorar o nível de emprego e de consumo, mas isso não virá tão rápido”, afirma.

Na primeira metade de 2017, o mercado de galpões logísticos teve poucas movimentações. No Estado de São Paulo, 24,6% da área disponível para locação estava desocupada no fim de junho, uma leve alta ante os 24,2% no fim de março, segundo relatório da Cushman & Wakefield. Nesse período, o preço dos aluguéis caiu 0,3%, para R$ 19,40 por metro quadrado. A absorção líquida (saldo de áreas alugadas e devolvidas) foi positivo em 68 mil m2 no semestre.

Já no Rio de Janeiro, o mercado está um pouco pior. A vacância terminou em 27,5% em junho, um pouco abaixo dos 28,1% de março, enquanto o preço de locação caiu 1,6%, para R$ 22,76 por m². A absorção líquida, porém, ficou negativa em 81,2 mil m2, ou seja, houve mais áreas devolvidas que alugadas no primeiro semestre.

Perspectivas 

Diante desse cenário, os desenvolvedores e operadores de condomínios logísticos estudam novos projetos com cautela e de forma pontual, longe do ritmo forte de crescimento vivido nos anos anteriores. Neste momento, o foco das apostas são as regiões onde a procura por galpões é constante mesmo em épocas de crise, como nas proximidades de grandes rodovias ao redor das capitais, e os empreendimentos desenvolvidos sob medida para os inquilinos, modelo em que os contratos de locação são assinados antes da construção.

“A crise política esfriou o mercado, mas não o parou completamente”, comenta Mauro Dias, presidente da filial brasileira da Global Logistic Properties (GLP), líder do segmento no País. O executivo lembra que ainda há muitos empresas instaladas em imóveis de baixa qualidade, o que motiva a mudança para galpões mais novos, chamados de classe A.

Além disso, Dias prevê queda da vacância no setor a partir do próximo do ano, como resultado da recuperação lenta da demanda e da baixa quantidade de projetos em construção neste momento. “Vamos entrar logo em um ciclo de crescimento, mesmo que este ciclo seja menor do que o previsto anteriormente”, ressalta.

Com vacância de 11%, a GLP entregará neste ano 98 mil m2 de novos galpões, distribuídos entre Cajamar (SP), Guarulhos (SP) e Itatiaia (RJ), regiões onde tem encontrado boa procura de inquilinos. Para o ano que vem serão mais 95 mil m2 entre Irajá (RJ) e Duque de Caxias (RJ). Ao todo, os investimentos atingirão US$ 150 milhões. “Se a economia brasileira responder bem, podemos acelerar os projetos”, afirma o presidente da GLP Brasil.

O presidente do Grupo TRX, Luiz Augusto do Amaral, especializado em gestão de ativos imobiliários, admite que a vacância do setor permanece grande, prejudicada pelo cenário econômico e político. Entretanto, concorda que a recuperação está a caminho apesar de ter perdido parte do fôlego.

Na visão de Amaral, o maior fator positivo é a trajetória de redução da taxa de juros, que torna os investimentos mais atrativos e favorece os movimentos de compra e venda de galpões. Quando a taxa básica estiver abaixo de dois dígitos, o reaquecimento ganhará força, avalia o executivo. A companhia investirá R$ 140 milhões em dois projetos cujas obras começam neste ano, em Santa Cruz (RJ) e Porto do Açu, em São João da Barra (RJ). A empresa também tem planos de iniciar dois empreendimentos nos Estados Unidos.

(Circe Bonatelli – circe.bonatelli@estadao.com)

Fonte: Broadcast

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