Shoppings repensam uso dos estacionamentos com novos meios de transporte

São Paulo, 11/09/2017 – A popularização dos aplicativos de transporte particular por carros, como o Uber, e o crescimento de ciclovias, corredores de ônibus e linhas de metrô nas capitais têm impactado as receitas da indústria de shopping centers com estacionamentos, um movimento que tende a se intensificar nos próximos anos, segundo empresários do setor. Com isso, os donos das redes de shoppings já vislumbram outras destinações para as garagens que, potencialmente, ficarão menos ocupadas no futuro.

“A longo prazo, acreditamos que as receitas dos estacionamentos serão secundárias e suas áreas tendem a ser aproveitadas para a expansão dos shoppings”, disse o presidente da Multiplan, José Isaac Peres, em conferência recente com investidores. Na sua leitura, essa transformação é positiva, uma vez que a principal fonte de receita dos shoppings é o aluguel cobrado dos lojistas e não as garagens. “Espero que os consumidores venham cada vez mais de Uber para os shoppings, então poderemos usar o terreno para fazer mais lojas”, acrescentou Peres.

Por ora, o principal motivo para a perda de receita com estacionamento ainda é a crise, que afastou muitos consumidores dos shoppings. Para compensar esse efeito, a Multiplan aprimorou o sistema de cobrança nas garagens, com mais terminais de autoatendimento para consumidores e corte de funcionários. Em contrapartida, diz que não aumentou o preço pelas vagas para carros.

Apesar da forte influência da crise, existe uma mudança no comportamento dos frequentadores dos centros de compras, segundo a vice-presidente de relação com investidores da Iguatemi, Cristina Betts, que vê um número crescente de pessoas que se deslocam a pé, de bicicleta e por carros acionados via aplicativos. Esse movimento já é marcante nos shoppings da Iguatemi situados nas avenidas Brigadeiro Faria Lima e Juscelino Kubitschek, que estão envolvidos por ciclovias e um grande fluxo de trabalhadores sediados em edifícios corporativos.

“Não sabemos ao certo aonde essa dinâmica vai parar. Já sentimos esse efeito hoje. Por enquanto, não é um impacto enorme, mas pode ser maior no futuro”, afirma Betts. Ela acredita que o reúso da área de estacionamentos para construção de mais lojas é a principal opção para os shoppings. No entanto, a legislação municipal de várias cidades exige um número mínimo de vagas em função do porte dos empreendimentos, o que limitaria alterações dos imóveis.

O diretor financeiro e de relação com investidores da BRMalls, Frederico Villa, também admite a possibilidade de queda no fluxo de veículos nos próximos anos em virtude de mudanças na dinâmica urbana e no comportamento da população. “Vemos que existe esse efeito e não podemos ignorar. Teremos que reinventar uma parte dos shoppings”, disse.

Villa pondera que, por enquanto, esse impacto está restrito às cidades de grande porte, como Rio de Janeiro e São Paulo, onde há um público diverso e um uso intenso de ciclovias e de aplicativos. Além disso, o Rio teve um salto na qualidade da rede de metrôs e ônibus graças às obras para a Olimpíada de 2016. Já em capitais menores e no interior do País, o efeito permanece reduzido ou nulo, segundo Villa. Isso porque as famílias ainda são os principais frequentadores dos shoppings e não costumam dispensar o automóvel próprio para passeios e compras.

 

Mais gente, menos carro

Em meio à crise, a quantidade de pessoas que passou pelos shopping centers do País cresceu 0,58% nos primeiros oito meses de 2017 em comparação com o mesmo período de 2016, um aumento tímido, segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) com a consultoria FX Retail Analytics.

Por sua vez, a cobrança pela garagem respondeu por uma fatia menor do faturamento total das principais redes de shoppings do País. Na BRMalls, a receita com estacionamentos representou 19,2% da receita bruta total no primeiro semestre de 2017, uma queda ante os 19,5% no mesmo período de 2016. Na Multiplan, o recuo foi de 15,1% para 14,7%, e na Iguatemi, de 18,7% para 18,3%. Já a Aliansce teve aumento de 17,5% para 18,3%. (Circe Bonatellicirce.bonatelli@estadao.com)

Fonte: Broadcast

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