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Varejo retoma investimentos em expansão após crise e amplia demanda por imóvel comercial

São Paulo, 10/01/2018 – O relato de quem lida com o mercado de imóveis comerciais é irrefutável: o telefone voltou a tocar pela primeira vez desde 2014. As redes de varejo estão retomando a expansão de lojas depois de anos de retração e estagnação, fato que vem sendo comemorado como reflexo da melhora da confiança dos consumidores. Apesar de simbólica, a retomada não vem sem cautela: a expansão mira regiões do País cuja situação fiscal e de segurança pública foi menos afetada pela crise.

“Os últimos anos foram de muita retração, muita gente deixando de abrir loja e fechando loja. O ânimo não era nada alto”, relata Marcos Hirai, sócio-diretor da GS&BGH, especialista em expansão de redes de varejo. “Posso dizer que, do segundo semestre de 2017 para cá, a reativação dos planos de expansão começou a se tornar cada vez mais forte”, diz.

Entre as companhias de capital aberto, várias divulgaram planos de crescimento mais ousados para 2018. Após ter paralisado a expansão e fechado lojas na crise, a Via Varejo (Casas Bahia e Pontofrio) quer inaugurar entre 70 e 80 lojas em 2018. Até setembro de 2017, a companhia registrou o fechamento líquido de nove unidades. O Magazine Luiza já declarou que aumentará “significativamente” as inaugurações este ano. No setor de franquias, já se enxerga espaço para retomada de investimentos. A Arezzo&Co quer entre 55 e 60 lojas em 2018, ante 50 em 2017; o Grupo Boticário espera entre 60 e 70 lojas este ano; e a Cia. Hering voltou a falar em expansão, embora ainda veja cautela dos empreendedores de franquias.

Ainda que as vendas do varejo não estejam crescendo a taxas extraordinárias como nos anos de ascensão da classe média brasileira, o otimismo para os investimentos de 2018 se justifica porque muitas redes varejistas estão com caixa disponível.

Hoje, o lucro das varejistas tem crescido a passos mais largos até mesmo do que as vendas, comenta Alberto Serrentino, fundador da empresa especializada em estratégia de varejo Varese Retail. Isso é verdadeiro porque a crise trouxe um pesado corte de despesas e fechamento de lojas menos produtivas. Mais enxutas, as redes hoje conseguem destinar caixa e energia para expansão.

A existência de recursos disponíveis faz com que o mercado acredite que a expansão dos varejistas continuará durante o segundo semestre de 2018, mesmo diante do risco de uma eventual instabilidade no cenário político gerada pelas eleições.

“Uma eleição traz turbulências, mas o risco de deixar de investir é pequeno, porque esses recursos nas empresas estão represados há anos”, comenta Ana Paula Tozzi, da AGR Consultores.

Se de um lado as empresas passam a investir recursos represados, do outro são os consumidores que agora retomam as compras após anos controlando o orçamento e evitando gastos discricionários. A demanda reprimida dos consumidores tem sido vista como o motor do bom desempenho do varejo em datas como a Black Friday, o Natal ou mesmo as liquidações de janeiro. “O varejo teve boas vendas porque muita gente estava há anos querendo comprar uma roupa nova de Réveillon e não conseguia”, brinca Tozzi.

 

Cautela

A alocação de recursos dos varejistas hoje segue, no entanto, uma lógica mais cautelosa que nos anos pré-crise, quando muitos acreditam que a oferta de shoppings e de novas lojas físicas foi maior do que a demanda em muitas regiões. Reflexo dessa cautela é a escola das regiões para expandir. “A expansão está concentrada nos Estados com uma situação fiscal mais alinhada. Nunca recebi tanta demanda concentrada para o Estado de São Paulo, enquanto no Rio de Janeiro muitos investimentos foram postergados em razão do momento econômico”, diz Hirai.

Outra característica é que, entre as redes que mais têm considerado planos de expansão, estão empresas com produtos considerados de melhor custo-benefício. É o caso de redes de alimentação casuais (o chamado “fast casual”) ou de redes de utilidades como Miniso e Daiso, ambas com foco em produtos acessíveis de design japonês.

Para os shoppings, a boa notícia é que o mercado espera uma redução da vacância. “O índice de vacância dos shoppings vai cair esse ano com certeza”, comenta Tozzi. Os preços de alugueis também começam a subir, com menos concessão de descontos nas negociações junto a varejistas, diz Hirai, da GS&BGH. (Dayanne Sousa)

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