Viver mira obras inacabadas e novos projetos após aprovar plano de recuperação

São Paulo, 29/11/2017 – Após a aprovação do seu plano de recuperação judicial hoje, a incorporadora e construtora Viver, ex-Inpar, pretende agora concentrar seus esforços na conclusão de obras paradas, vendas de imóveis no estoque e retomada de novos projetos. “Trabalharemos nessas três grandes frentes daqui em diante”, afirma o presidente da companhia, Eduardo Canônico, em entrevista ao Broadcast.

Em meio a dificuldades financeiras, a companhia deixou três empreendimentos inacabados em Goiânia, Recife e Nova Lima (MG), que somam cerca de 700 apartamentos. No caso dos dois primeiros, a Viver negocia com bancos a liberação de empréstimo complementar, de modo que ao menos um deles terá a obra reiniciada em janeiro, estima Canônico. No caso de Nova Lima, a tendência é que a comissão de clientes que compraram as unidades na planta assuma o empreendimento no lugar da empresa.

Em paralelo, a Viver avalia lançar novos projetos, o que não acontece desde 2014. O foco serão imóveis voltados para a população de baixa renda, dentro do Minha Casa Minha Vida (MCMV), segmento mais aquecido do mercado imobiliário. Este nicho conta com financiamento bancário à produção e permite o repasse dos clientes aos bancos logo após a venda. “Isso tudo favorece o fluxo de caixa, o que é importante nesse período inicial em que o nosso capital de giro está restrito”, explica o executivo.

A Viver também buscará parcerias com investidores e empresas para os novos projetos. Ainda não está definido, porém, se os lançamentos ocorrerão já em 2018. Segundo Canônico, será preciso concluir os próximos passos previstos no plano de recuperação judicial.

 

Reestruturação

A Viver foi a primeira incorporadora de capital aberto a pedir recuperação judicial. A petição ocorreu em setembro de 2016, após acumular dívidas de R$ 1,3 bilhão. Os maiores credores são Bradesco, Polo Capital, Caixa Econômica Federal e a Paladin Realty Partners – esta última também é a maior acionista.

A proposta de amortização apresentada na assembleia desta quarta-feira teve a aprovação de 80,64% dos credores presentes. Houve 100,0% de aceitação entre as classes 1 (trabalhistas) e 4 (micro e pequenas empresas), além de 80,51% na classe 3 (credores sem garantia real, como instituições financeiras e compradores de imóveis).

O plano prevê, em síntese, a entrega da incorporadora aos credores. A maior parte do pagamento será feito por meio da conversão das dívidas em ações que serão emitidas pela companhia, que devem totalizar cerca de R$ 800 milhões. Essa conversão ocorrerá em até quatro tranches nos 12 meses seguintes à homologação do plano.

Os credores de empreendimentos com patrimônio de afetação também poderão receber terrenos e apartamentos em troca da dívida, ou esperar o dinheiro da venda desses imóveis nos próximos meses. O estoque da Viver é avaliado em R$ 409 milhões.

Por sua vez, os clientes que assinaram a compra de uma unidade na planta poderão optar por dois caminhos. Um deles é receber o imóvel mediante pagamento do saldo remanescente com desconto de 10% mais abatimento de multa e juros. Outra opção será o distrato. Nesse caso, o reembolso do valor pago pelo consumidor terá desconto de 10% e não incluirá taxa de corretagem. Além disso, o pagamento só ocorrerá 30 dias após a revenda do imóvel.

As propostas são detalhadas em um conjunto de 17 planos, sendo um para a holding e 16 para os empreendimentos organizados em Sociedades de Propósito Específico (SPEs). Os 48 projetos com patrimônio de afetação ficaram de fora do processo, evitando a mistura de dívidas, conforme desejo dos bancos.

A primeira versão do plano da Viver gerou polêmica por consolidar as dívidas dos 64 empreendimentos. O tema foi motivo de disputa na justiça que, até segunda instância, foi favorável aos bancos. A aprovação do plano condicionou a empresa a desistir de questionamentos.

“Foi um processo complexo, por ser a primeira incorporadora de capital aberto a entrar em recuperação”, observa o sócio da consultoria financeira Alvarez & Marsal, Rafael Carlos, que assessorou a Viver no processo junto do escritório de advocacia Galdino, Coelho e Mendes.

 

Histórico

A Viver entrou em recuperação judicial em meio à maior recessão da história brasileira, que espantou os compradores de imóveis e provocou uma onda de distratos de vendas. Isso deixou a companhia sem caixa para honrar seus compromissos.

A Viver foi fundada em 1992 e ganhou corpo em 2007, após a abertura de capital na bolsa. Nesse período, a incorporadora figurou entre as líderes do mercado imobiliário de São Paulo, com empreendimentos que somaram R$ 2,6 bilhões em valor geral de vendas.

Seu principal acionista, com 25% das ações, é a gestora norte-americana Paladin Realty Partners, que tem US$ 800 milhões em investimentos imobiliários na América Latina. Cerca de metade desses recursos está no Brasil. (Circe Bonatellicirce.bonatelli@estadao.com)

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